quinta-feira, 21 de junho de 2012

Atentado aos cofres públicos e à vergonha na cara - Comissão da Câmara dos Deputados aprova emenda que acaba com o teto salarial no País (Enquanto isso professores brigam por um piso melhor)


Por Denise Madueño, no Estadão:

Com o Congresso em recesso branco por causa da conferência Rio+20, comissão especial da Câmara aprovou ontem proposta de emenda constitucional com potencial explosivo para as contas públicas. O projeto acaba, na prática, com o teto salarial dos servidores públicos não só da União mas também dos Estados e dos municípios. Retira ainda o poder do presidente da República de definir o maior salário pago pela administração pública no País. Essa função, pela proposta, será exclusiva do Congresso, sem a necessidade de passar pela sanção ou veto do Planalto.
A proposta ainda vincula os salários dos parlamentares aos vencimentos dos ministros do Supremo Tribunal Federal (STF). Com isso, toda vez que o Congresso aprovar aumentos salariais para os magistrados, eles serão repassados automaticamente para os deputados e senadores sem o desgaste político de votar um outro projeto concedendo o autorreajuste. A “carona” é extensiva a outras autoridades. O texto fixa o mesmo salário para os três Poderes. Serão também beneficiados o presidente e o vice-presidente da República, os ministros de Estado, o procurador-geral da República e o defensor público-geral federal. O salário do ministro do Supremo e do procurador-geral tem efeito cascata em toda a magistratura.
Antirreforma. O projeto aprovado precisa ser votado em dois turnos pelo plenário da Câmara antes de seguir para o Senado. A proposta, na prática, coloca por terra as reformas administrativas dos governos dos presidentes Fernando Henrique Cardoso e Luiz Inácio Lula da Silva, realizadas para frear o pagamento de salários dos marajás do serviço público e tentar impor limites de gastos com o funcionalismo. Ainda não há um cálculo fechado sobre o tamanho do impacto nas contas públicas que tal projeto causará caso passe em definitivo pelo crivo dos parlamentares.
A proposta foi aprovada na comissão especial ontem por unanimidade, em reunião que durou pouco mais de meia hora. Interlocutores do governo no Congresso foram surpreendidos e consideraram que houve um golpe dos deputados, aproveitando o esvaziamento da Câmara nesta semana. Essa foi a segunda reunião da comissão especial que analisa o projeto, instalada em 10 de maio passado.
Entre mudanças de artigos e revogação de outros, a proposta do relator, deputado Mauro Lopes (PMDB-MG), permite o acúmulo de pagamentos de várias fontes — incluindo aposentadoria, salários, benefícios, decisões judiciais — para o servidor público, mesmo que a soma exceda o teto, igual ao valor do subsídio dos ministros do Supremo, atualmente de R$ 26.723,13. O texto aprovado retira ainda os limites atuais para o salário dos servidores estaduais e municipais, mudando a regra constitucional.

quarta-feira, 20 de junho de 2012

Inferno ou paraíso?

Um político santanense anda tranquilamente pela rua quando é atropelado e morre.
A alma dele chega ao Paraíso e dá de cara com São Pedro na entrada.
– Bem-vindo ao Paraíso!, diz São Pedro. Antes que você entre, há um probleminha. Raramente vemos parlamentares por aqui, sabe, então não sabemos bem o que fazer com você.
– Não vejo problema, é só me deixar entrar, diz o político.
– Eu bem que gostaria, mas tenho ordens superiores. Vamos fazer o seguinte: você passa um dia no Inferno e um dia no Paraíso.  Aí, pode escolher onde quer passar a eternidade.
– Não precisa, já resolvi. Quero ficar no Paraíso, diz o velho político.
– Desculpe, mas temos as nossas regras.
São Pedro o acompanha até o elevador e ele desce, desce, desce, desce, desce, desce até o Inferno. A porta se abre e ele se vê no meio de um lindo campo de golfe. Ao fundo, o clube onde estão todos os seus amigos e outros políticos conhecidos.
Todos muito felizes em traje social. Ele é cumprimentado, abraçado e eles começam a falar sobre os bons tempos em que ficaram ricos à custa do povo. Jogam uma partida descontraída e depois comem lagosta e caviar.
Quem também está presente é o diabo, um cara muito amigável que passa o tempo todo trazendo belas garotas.
Eles se divertem tanto que, antes que ele perceba, já é hora de ir embora. Todos se despedem dele com abraços e acenam enquanto o elevador sobe.
Ele sobe, sobe, sobe, sobe e a porta se abre outra vez. São Pedro está esperando por ele.
Agora é a vez de visitar o Paraíso. Ele passa 24 horas, junto a um grupo de almas contentes que andam de nuvem em nuvem, tocando harpas e cantando.
Tudo vai muito bem e, antes que ele perceba, o dia se acaba e São Pedro retorna.
– E aí ? Você passou um dia no Inferno e um dia no Paraíso. Agora escolha a sua casa eterna.
Ele pensa um minuto e responde:
– Olha, eu já pensei. O Paraíso é muito bom, mas acho que vou ficar melhor no Inferno.
Então São Pedro o leva de volta ao elevador e ele desce, desce, desce, desce, desce, desce até Inferno.
A porta abre e ele se vê no meio de um enorme terreno baldio cheio de lixo.
Ele vê todos os amigos com as roupas rasgadas e sujas catando o entulho e colocando em sacos pretos.
O diabo vai ao encontro de seu novo hóspede e passa o braço pelo ombro dele.
– Não estou entendendo, – gagueja o político. Ontem mesmo eu estive aqui e havia um campo de golfe, um clube, lagosta, caviar, nós dançamos com belas garotas e nos divertimos o tempo todo. Agora só vejo esse fim de mundo cheio de lixo e meus amigos arrasados!!!
O diabo olha pra ele, sorri ironicamente e diz:
– Ontem estávamos em campanha. Agora, já conseguimos o seu voto...

TOME CUIDADO POVO SANTANENSE!!!!!!

Por Juarez Nogueira (adaptado para a política Local Por Yure Nicolau)

segunda-feira, 18 de junho de 2012

Rio + 20%


Enquanto o circo da sustentabilidade vende aos inocentes seus kits verdes de esperança, os não-inocentes garantem seu futuro sustentável em Brasília.
No momento crucial da CPI do Cachoeira, quando o suspeito número um do Brasil, Fernando Cavendish, deveria ser convocado a depor, a nação estava distraída com o carnaval fora de época da Rio + 20.
Resultado: o dono da Delta, pivô do que promete ser o maior escândalo de corrupção da história da República (em cifras e em alcance político), não precisou interromper seu descanso em Paris para se explicar aos brasileiros.
A não-convocação de Cavendish pela CPI, sem um mísero cara-pintada na rua para incomodar a Tropa do Cheque no Congresso, quer dizer o seguinte: o Brasil está se lixando para o seu futuro.
Pergunta aos foliões da Rio + 20: como planejar a sustentabilidade num país onde o orçamento da infra-estrutura é dominado por bandidos?
O esquema Delta-Cachoeira fez a festa no topo do Estado brasileiro, comandando o PAC com obras superfaturadas. Cavendish fez um caixa que lhe permitia, segundo ele mesmo, comprar um parlamentar por 30 milhões de reais.
O Brasil ecológico e sustentável permitiu que os bandoleiros da CPI protegessem esse cidadão. O Brasil ético está, como diria Paulo Francis, tecnicamente morto.
Fica combinado assim: vamos brincar de salvar o planeta com relatórios poéticos e tratados sobre o sexo dos anjos. Enquanto isso, a quadrilha do Cachoeira cuida da sua reciclagem – evitando a extinção da espécie e do esquema.
Que venha a Rio + 20%, onde os felizes herdeiros da operação Delta darão workshops sobre a sustentabilidade do golpe.

Eu não ponho fé (Mais uma reunião daquelas que não resolvem nada)


sexta-feira, 8 de junho de 2012

O julgamento do mensalão está em pauta. Tomara os juízes não se condenem onde os culpados são absolvidos


Juarez Nogueira
Não é que o Supremo Tribunal Federal (STF) decidiu marcar para agosto o início do julgamento do mensalão? Apesar das investidas de Lula & Cia. para melar o julgamento do processo contra a organização criminosa, chefiada por José Dirceu – segundo a Procuradoria Geral da República –, parece que agora vai. Parece. Julgamento marcado, tudo ainda depende do moroso relatório daquele Lewandovski ministro indicado por Lula.
Contra todas as negativas do ex-presidente e as manobras das hordas lulopetistas, patente está: o crime existe. Não é coisa da oposição ou perseguição da imprensa, como sempre afirmou um Lula que se dizia traído e “não sabia de nada”. Ou se mobilizaria a mais alta Corte do país para instruir a farsa de julgar um crime inexistente?
Pelo menos o assédio de Lula ao ministro Gilmar Mendes serviu para mover a engrenagem do processo emperrado há sete anos e expôs a única preocupação de Lula: o STF vai julgar o fato e o fato é um processo-crime. Dê o que der o julgamento, Lula não poderá alegar a inexistência do delito. Se aconteceu em seu governo, tem ligação com o caso. Dê o que der, o esquema da compra de votos de políticos da base alugada ficará como escândalo indelével do histórico de corrupção do Brasil com as digitais do PT. (Quase eu ia dizer maior escândalo, porém, maior escândalo neste país ainda é sempre o próximo.)
Se os réus mensaleiros serão condenados, aí é outra história. Podem ficar impunes como tantos outros que ocuparam e ocupam as mais altas esferas do governo. Talvez, seja só mais uma conta no rosário da impunidade sistêmica da República de Cocanha, onde as leis bailarinas animam o fandango dos pernetas.
Esperança? Melhor deixá-la fora. Expectativa há, alguma, por parte das Pessoas de Bem deste país. Sob mal homiziado silêncio, o que prevalece são as apostas canalhas nos vícios de um sistema judicial insuperáveis pela falta mesma de Justiça. Basta saber, os crimes cometidos pelos réus mensaleiros (formação de quadrilha, corrupção ativa e passiva, peculato e evasão de divisas) têm penas brandas. Para o crime de formação de quadrilha, por exemplo, a pena máxima é de três anos. Se condenados pelas penas mínimas, que podem ser convertidas em penas alternativas como serviço comunitário ou pagamento de cestas básicas, já estarão mais do que livres e recompensados pelos crimes cometidos.
Ao final e no limite, o resultado pode concorrer pela frustração de ver tudo reduzido às eventuais penas mínimas, por conta dos atrasos no julgamento e da prescrição superveniente. Em tal hipótese, restaria como única pena a sanção social, o juízo popular a condenar os mafiosos ao ostracismo – ainda que saiam do julgamento arrotando a absolvição que nem é sinônimo de inocência. Absolvição é apenas tecnicalidade sistêmica. E a sistemática brasileira não é a do sol quadrado, é a do corrupto fora da cadeia. Improvável, pois, é que o resultado do julgamento do mensalão, pelo sim ou pelo não, gere assim uma espécie de crispação coletiva, um levante, alguma reforma ou mudança de rumo no Governo Republicano.
Mas, pelo sim ou pelo não, um fato é inegável: todo o episódio põe em jogo a reputação do Poder Judiciário. Por ora, não há que se falar em vitória ou derrota. Ao colocar o julgamento em pauta, o STF não fez mais que seu dever para dar a prestação jurisdicional como é a praxe das instituições democráticas no Estado de Direito. Daqui para frente, pode esperar-se tudo, inclusive nada. Tomara, os juízes não se condenem onde os culpados são absolvidos.

quarta-feira, 6 de junho de 2012

O futuro de nossa desilusão


O Brasil evolui pelo que perde e não pelo que ganha. Sempre houve no País uma desmontagem contínua de ilusões históricas. Este é nosso torto processo: com as ilusões perdidas, com a história em marcha à ré, estranhamente, andamos para a frente. O Brasil se descobre por subtração, não por soma. Chegaremos a uma vida social mais civilizada quando as ilusões chegarem ao ponto zero.
Por isso, acho muito boas as decepções recentes. Elas nos fazem avançar mesmo de lado, como siris-do-mangue. Por decepções, fomos aprendendo, ou melhor, desaprendendo.
Nos anos 60, "desaprendemos" a fé numa revolução mágica do 'povo', com a súbita irrupção dos militares. Nos anos 70, descremos do voluntarismo místico da contracultura e da guerrilha suicida.
Nos 80, com as dificuldades da restauração democrática, aprendemos com o tumor na barriga do Tancredo, com o homem da ditadura Sarney assumindo o Poder (sempre esse homem fatal...) e descobrimos que a democracia era "de boca" e ainda não estava entranhada em nossas instituições.
Nos anos 90, tivemos a preciosíssima desilusão com o Collor, aprendemos muito com seu fracasso. O impeachment foi um ponto luminoso em nossa formação e nos trouxe a fome pela organização de uma república democrática. FHC foi um parêntesis em nossa tradição presidencial, mas ele e nós nos desiludimos porque achávamos que a racionalidade seria bem recebida. Não foi. FHC só foi eleito pelo Plano Real; depois, a população não entendeu mais nada nem ele explicou. As importantes realizações de seu governo foram incompreensíveis para as massas: uma responsabilização maior da opinião pública, o fim do "finalismo", a recusa ao salvacionismo, a responsabilidade fiscal, as privatizações, as tentativas de reforma institucional e a sensatez macroeconômica.
De 2002 em diante, a importância da administração e das reformas internas ("neoliberais", claro) foi substituída pela truculência dos pelegos chegados ao poder. A verdade é que os petistas nunca acreditaram na "democracia burguesa"; como disse um intelectual da USP – "democracia é papo para enrolar o povo". Não entenderam com suas doenças infantis que a democracia não é um meio, mas um fim em si mesmo; ou melhor, até entendem, mas não a querem. Nada disso; tudo que construíram, com sua invejável fé militante, foi um novo patrimonialismo de Estado, com a desculpa de que "em vez de burgueses mamando na viúva, nós, do povo, nela mamaremos". E tudo isso em nome do raciocínio deslumbrado de Lula, lutando por si mesmo: "Eu sou do povo; logo, luto pelo povo". E assim, com teses de 100 anos atrás e com o narcisismo do Lula, voltou o formato do Brasil que o Plano Real e FHC tentaram interromper. Com suas alianças com a direita feudal, Lula revigorou o pior problema do País: o patrimonialismo endêmico.
Ou seja, nem a social-democracia de colarinho-branco nem a de macacão rolaram, porque o Brasil profundo resiste às ideias claras, à racionalidade, a qualquer vontade política generosa. Em nossa história, tudo vai devagar e só algumas migalhas frutificam. Nos últimos anos, tudo que aconteceu é muito mais o produto de influência econômica externa e da espantosa resistência colonial do Atraso, do que de nossos desejos. Somos filhos bastardos de um progresso que não planejamos.
A única revolução que se faria no Brasil seria o enxugamento de um Estado que come a nação, com gastos crescentes, inchado de privilégios e clientelismo, um Estado que não tem como investir e que leva a presidente a medidas paliativas. A única revolução seria administrativa, apontada na educação em massa, nas reformas institucionais, mas altos e baixos cleros não permitem, mesmo agora que a bolha do Brasil Bric ameaça explodir.
Estamos diante de um momento histórico gravíssimo, com os dois tumores gêmeos de nossa doença: a direita do atraso e a esquerda do atraso. Como escreveu Bobbio, se há uma coisa que une esquerda e direita é o ódio à democracia.
Esta crise é tão sintomática, tão exemplar para a mudança do País, que não pode ser desperdiçada pelos pensadores livres. É uma tomografia que mostra as glândulas, as secreções do corpo brasileiro - um diagnóstico completo. Este espasmo de verdade, esta brutal explosão de nossas vísceras talvez seja perdida, porque as manobras do atraso de direita e do atraso de esquerda trabalham unidos para que a mentira vença.
Agora estamos diante da cachoeira de descobertas sobre a conjunção carnal entre a coisa pública e privada. E vemos que só os verdadeiros corruptos conhecem profundamente a verdade nacional. Tudo que surgiu sobre nossa vida política nos foi revelado por dois malandros: o mensalão foi um presente de Roberto Jefferson à nossa opinião pública e a CPI veio pelos malfeitos de Cachoeira e Demóstenes. E tentando desmantelar as verdades descobertas está o ex-presidente, no exercício de seu cinismo egoísta e ambicioso, pensando apenas em sua imagem no futuro.
Além disso, vivemos em suspense diante de nossa fragilidade jurídica: um ministro do Supremo Tribunal Federal, Ricardo Lewandowski, segura o processo do mensalão sem prazo de entrega. Por teimosia ou caturrice ou sabemos lá por quê, ele se arrisca a ser o responsável pela desmoralização do STF.
Mas, assim mesmo, com o engarrafamento dos escândalos, tem havido um avanço em nossa consciência crítica. Estamos bem menos "alienados". E, por mais que se destruam as instituições, as conquistas da democracia não vão sumir, por conta da maior complexidade da economia e da política, que a abertura permitiu. Estamos mais desiludidos, porém mais sábios.
Que falta desaprender agora, para chegarmos ao futuro de uma desilusão?

segunda-feira, 4 de junho de 2012

Blog Bicho de Pé na luta para que MENSALÃO seja julgado ainda este ano


Estes são os endereços eletrônicos dos 11 ministros do STF (Superior Tribunal de Justiça) que são responsáveis pelo o julgamento de um dos maiores escândalos desse País. Então você (não é os outros, é você mesmo) leitor Bicho de Pé envie também um e-mail a estes senhores e senhoras cobrando desses a não desmoralização de vez dessa instituição (STF) e da Pátria Mãe Gentil.

Celso de Mello – mcelso@stf.gov.br
Marco Aurélio de Mello – marcoaurelio@stf.gov.br
Gilmar Mendes – mgilmar@stf.gov.br
Cezar Peluso – carlak@stf.gov.br
Carlos Britto – gcarlosbritto@stf.gov.br
Joaquim Barbosa – gabminjoaquim@stf.gov.br
Ricardo Lewandowski – gabinete-lewandowski@stf.gov.br
Carmen Lúcia – anavt@stf.gov.br
Dias Toffoli – gabmtoffoli@stf.jus.br
Rosa Weber – audiencias-minrosaweber@stf.jus.br ou convites-minrosaweber@stf.jus.br

Política Nacional: Lewandowski tem de saber que chegou a hora. Ou: Estaria o ministro preparando um "Relatório do B"?

Por Reinaldo Azevedo
Está nas mãos do ministro Ricardo Lewandowski produzir um grande bem ao país ou contribuir para a desmoralização do Poder Judiciário. Refiro-me, é evidente, ao processo do mensalão. Todos os membros da Corte que se pronunciaram já deixaram claro ter plenas condições de julgar. Afinal, conhecem o caso, o processo, tudo.
O Artigo 25 do Regimento Interno do Supremo estabelece as funções do revisor:
Art. 25. Compete ao Revisor:
I - sugerir ao Relator medidas ordinatórias do processo que tenham sido omitidas;
II - confirmar, completar ou retificar o relatório;
III - pedir dia para julgamento dos feitos nos quais estiver habilitado a proferir voto.
Trabalhoso? Sem dúvida! Ainda que Lewandowski decida oferecer um outro ponto de vista, que não o de Joaquim Barbosa, já tem todas as informações de que precisa e pode contar com uma ampla equipe para auxiliá-lo.
Numa entrevista ao Estadão no dia 19 de abril, indagado sobre o seu papel, ele deu uma resposta um pouco esquisita. Leiam:
O sr. é revisor. Seu papel não seria secundário no processo?
Pelo contrário. O papel do revisor é dos mais importantes, segundo o próprio regimento interno do Supremo Tribunal Federal. Não se restringe apenas a revisar os procedimentos formais adotados pelo relator ou conferir o relatório que ele elaborou. Compete ao revisor preparar um voto completo, em pé de igualdade com o do relator, para trazer outro ponto de vista sobre o processo para os colegas. É importante deixar claro que a função do revisor não consiste em examinar o voto do relator. Aliás, nem sequer conheço o voto que o ministro Joaquim Barbosa está redigindo.
Pois é…
A íntegra do Regimento Interno está aqui. Eu não encontrei nada que sugira que compete ao revisor, necessariamente, “trazer outro ponto de vista” sobre o processo. Segundo o Inciso II do Artigo 25, transcrito acima, ele até pode propor a retificação — trata-se de uma de três possibilidades, não de uma tarefa a ser cumprida. A diferença faz toda a diferença. Também acho estranho alguém que tem a atribuição de apontar eventuais “medidas ordinatórias do processo que tenham sido omitidas” afirmar que desconhece o trabalho do relator. Como apontar falhas naquilo que se afirma desconhecer?
Estaria Lewandowski demorando tanto porque, com efeito, resolveu ser, em vez de revisor, um “relator do B”, alternativo, tentando fazer o seu trabalho não só ombrear com o do colega Joaquim Barbosa, mas competir com ele?
Seja como for, boa parte das tensões que andam por aí se diluiria se Lewandowski tivesse claro, a exemplo da maioria dos brasileiros, que esse caso já foi longe demais. Hora de votar ministro! Ainda que o senhor apresente um “Relatório do B”. E que fique claro: eu não estou entre aqueles que acham que os mensaleiros serão necessariamente condenados, dada a composição que temos do Supremo. Mas acho, sim, que, caso eventuais chicanas tentem postergar o julgamento, de sorte a esperar a substituição de dois ministros, a instituição é que estará sendo desmoralizada.
Essa demora está criando tensões e crispações políticas inúteis. Já se esperou acontecer o que chega, ministro Lewandowski. Fez-se a hora!

Política Nacional: STF monta estratégia para julgamento do mensalão. Será que agora vai?


Por Juarez Nogueira (Comentário sobre a reportagem de Felipe Recondo no jornal o Estadão)
O surgimento do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva no radar do julgamento do mensalão alertou para um movimento subterrâneo detectado pelo Supremo Tribunal Federal (STF): manobras projetadas para embaraçar o processo e jogar a sentença final para depois das eleições.
Diante disso, o presidente da Corte, Carlos Ayres Britto, prepara em conjunto com os colegas alguns antídotos para anular estratégias que podem ser usadas pelos advogados dos réus do mensalão para retardar o julgamento do processo. Com 38 réus a serem julgados e número ainda maior de advogados envolvidos com o caso, os ministros sabem que todos os subterfúgios legais e chicanas poderão ser usados nas sessões de julgamento.
Britto pediu à Defensoria Pública que preparasse de cinco a sete defensores para que fiquem de sobreaviso. Eles serão sacados para atuar no julgamento caso algum dos advogados peça adiamento da sessão por estar doente ou se algum dos réus convenientemente destituir seu advogado e pedir prazo para contratar um novo defensor.
Problemas como esses poderiam provocar o adiamento da sessão por semanas. Esses defensores públicos estudam o caso desde abril e estarão, de acordo com integrantes do tribunal, prontos para defender os réus de imediato, sem permitir atrasos no julgamento do processo, que deve se alongar por dois meses.
Os ministros antecipam também estratégias para garantir a execução das penas daqueles que forem condenados. Terminado o julgamento, o tribunal precisa publicar o acórdão – com a íntegra do relatório do caso, os votos de cada ministro e os debates travados na sessão, e a ementa do julgamento.
Comento: Que venham as estratégias do STF para se cercar do assédio dos mensaleiros. E que venha o julgamento! Principalmente agora que Lula tenta “melar” a coisa. Não é ele quem sempre alegou que o crime non ecziste? E se não existiu, por que age na sombra para tentar impedir o STF de julgar o caso este ano? Em país sério, no mínimo Lula e o ministro Gilmar Mendes seriam levados à acareação pública. Mas espera-se que, com a luz amarela acesa, o STF reaja. Aja. Faça valer sua autonomia como instituição maior da Justiça, em meio à Constituição, às leis e demais instituições já tão achincalhadas nos nove anos da incursão lulopetista no poder. Que o STF julgue – que já vai tarde! Que dê a cada mensaleiro o seu quinhão, dentro do devido processo legal. É a oportunidade ímpar de mostrar que sim, há juízes no Brasil. Vejamos se o STF irá fazê-lo – apesar de ser a maioria dos juízes indicada por Lula, quando presidente. O que não lhes deve pôr cabrestos nem tirar-lhes a “despresunção de inocência”, espera-se.

Estão aí as caras dos imundos pra quem quer ter o desprazer de conhecê-los, eram 40 nomes agora restam 36: 

sexta-feira, 1 de junho de 2012

No Ratinho, Lula rói a Lei Eleitoral, os fatos, as instituições, o decoro, o bom senso... É o passado que insiste em não passar; é a rabada privada paga com a rabada pública!


Por Reinado Azevedo
Caros, o texto ficou longo (grande novidade!!!), mas acho que dá conta de quase todos os aspectos daquele grotesco espetáculo de ontem à noite. Avaliem. Se gostarem, espalhem.
*
Há dias a transgressão à Lei Eleitoral estava anunciada. Lula daria a sua primeira entrevista depois de deixar a Presidência da República ao Programa do Ratinho, do SBT. O SBT é a emissora do empresário e ex-banqueiro Silvio Santos, cujo banco, o Panamericano, quebrou, deixando um rombo de R$ 4,3 bilhões na praça. Isso deveria lhe ter custado o patrimônio pessoal e empresarial. Mas saiu ileso, sem gastar um centavo. O então presidente Luiz Inácio Lula da Silva deu um jeitinho. Foi um dos maiores escândalos financeiros do país. Voltarei ao ponto mais abaixo. Pois bem: os petistas anunciavam, e a imprensa noticiava: a “entrevista” ao apresentador Ratinho será a primeira de uma série de aparições do ex-presidente em programas de TV para tentar catapultar a candidatura de Fernando Haddad (PT) à Prefeitura de São Paulo. Ou por outra: o desrespeito à Lei Eleitoral estava sendo, por espantoso que pareça, anunciado. Fazia-se a crônica do crime antes mesmo de ele acontecer. E assim se deu. Só não se esperava que pudessem ir tão longe — aposta sempre perdida quando se trata de Lula. E foram! Haddad, em pessoa, apareceu a tiracolo, para ter suas virtudes exaltadas por Lula e para tentar, ele mesmo, com peculiar ruindade, vender o seu peixe. Um escracho! Um acinte! Um deboche! A maracutaia que livrou a cara e o bolso de Silvio Santos vivia ali mais um capítulo das compensações, da política do “é dando que se recebe”.
Ataque boçal e antidemocráticoLula — com o concurso do SBT, é evidente! — não foi além do aceitável apenas quando apareceu com seu candidato, um notável desajeitado, que mal escondia a condição de boneco de mamulengo. A certa altura do programa, Ratinho perguntou — com aquela falsa espontaneidade que, admita-se, o apresentador encarna muito bem — se o petista admitia voltar a se candidatar à Presidência da República. Depois de afirmar, obviamente, que Dilma tentará a reeleição, que está fazendo um trabalho extraordinário, não se conteve: “Se ela não quiser ser candidata, vou ser. Não vou permitir que um tucano volte a ser presidente do Brasil”. Ainda que a resposta pareça banal na sua boca e, até certo ponto, esperada, é bom que se destaque: não há democracia respeitável no mundo que aceite uma intervenção como essa. Lula transforma um dos partidos de oposição num anátema, como se, na Presidência, tivesse feito um mal ao Brasil. É essa abordagem verdadeiramente criminosa que o petismo tem da política que me causa — a mim e a quantos possam prezar o regime democrático — repúdio. Ratinho, com Haddad ali presente, numa programa que tinha justamente o objetivo de tirá-lo da obscuridade eleitoral, não perdeu tempo. Olhou para as câmeras e disparou:
— Zé Serra, cê tá ralado!
O empresário Ratinho, dono de concessões de emissoras de televisão, de tonto só tem o andado e o jeitão. É espertíssimo. Sabe que o tucano José Serra é candidato à Prefeitura de São Paulo e, pois, adversário de Haddad, não à Presidência. Mas estava ali prestando um serviço. Lula havia dado a Silvio Santos, afinal, quando fez a maracutaia do Panamericano, bem mais do que aquilo. A dívida, aliás, é impagável!
Pagando a rabada de Ratinho com a rabada do povoLula está com a aparência doentia, ainda bastante inchado e rouco, mas o caráter, o que ele tem, já está cem por cento. Nos primeiros instantes de programa, contou que havia prometido a entrevista ao apresentador porque eram amigos pessoais: “Já comi rabada na casa do Ratinho, e o Ratinho comeu rabada na Granja do Torto”. O valor de uma e de outra é certamente irrisório, mas não o simbolismo. O apresentador pagou a iguaria que ofereceu a Lula com seu próprio dinheiro, e Lula pagou a que ofereceu a seu amigo com o nosso.Mutatais mutandis (e põe uma montanha de “mutandis” aí…), o acordão do Panamericano foi uma rabada pública de dimensões pantraguélicas! Mas ainda não é a hora de falar disso. Sigamos.
O país de Lula é assim, fraterno, feito de amizades, compadrios, arranjos, acertos, conversas ao pé do ouvido, transgressões legais, artimanhas, manhas, arranjos à socapa, ilegalidades à sorrelfa, cochichos… À guisa ainda do troca-troca de rabadas, repetiu uma das divisas da República da Companheirada:
“Eu costumo dizer que um irmão nem sempre é um grande companheiro, mas que um companheiro é sempre um grande irmão”.
Na plateia, o irmão Luiz Marinho, prefeito de São Bernardo (com os cabelos tingidos, mais negros do que as asas da graúna) e, claro!, Haddad, que logo seria chamado para uma das cadeiras dos entrevistados.
O câncer e o ataque a quem tem plano de saúde privadoAí chegou a hora da exploração eleitoreira do câncer. Lula fez digressões sobre a sua boa saúde até então, sem tomar remédios — no máximo, disse, ingeria uns Engovs para minimizar os efeitos da “marvada pinga” —, até que recebeu a notícia da doença. Fez um resumo até bem-humorado das dificuldades para, ora se não faria isto!, atacar aqueles que votaram contra a CPMF e, pasmem!, os brasileiros que têm plano privado de saúde! O homem que se tratou num dos hospitais mais equipados e caros do mundo — teria sido tudo pago por seu plano de saúde??? — tem clara noção do contraste entre o tratamento que ele recebe e aquele dispensado por seu governo à população pobre, certo? Quem é o responsável por isso? Ora, os que votaram contra a CPMF! “Se a gente quiser que o povo tenha o tipo de tratamento que eu tive, tem de ter dinheiro”.Não! Lula não foi se tratar no SUS — que ele chegou a declarar “perto da perfeição” e a oferecer como modelo a Obama. Preferiu o Sírio-Libanês. E afirmou, de modo um tanto oblíquo, que o conjunto dos brasileiros só não tem um Sírio-Libanês para chamar de seu por culpa dos adversários.
A mentira escandalosa sobre os planos de saúdeEstá, sim, um tanto alquebrado, mas, afirmei, o caráter continua o mesmo. É o que sempre digo: doença não é categoria de pensamento, não melhora ninguém. Aproveitou, ainda, para fazer caricatura dos brasileiros que pagam plano privado de saúde, que seriam uns reclamões injustos: “Quem paga o plano de saúde dele? É o estado brasileiro, que não recebe imposto!” Trata-se de uma falsificação grosseira da verdade. Lula sabe muito bem o que é Imposto de Renda e como funciona — o governo petista bate sucessivos recordes de arrecadação. Quando o contribuinte declara os gastos de saúde está apenas — atenção! — deixando de ser tributado sobre aquele valor, mas é mentira que o estado esteja pagando alguma coisa! O coitado está efetivamente tirando um dinheiro do bolso para financiar a sua saúde e a da família. A afirmação é uma mentira, uma vigarice! Terá a oposição prestado atenção que o petista hostilizou, com essa afirmação, milhões de brasileiros obrigados a aderir à saúde privada para fugir do “sistema quase perfeito” de Lula? Se fosse ágil, estaria amanhã nas redes sociais fazendo esse debate. Mas até acordar do sono eterno…
Aí chegou a hora de HaddadAí chegou a hora de Haddad. Como quem não quer nada, como se a pergunta tivesse acabado de lhe ocorrer, Ratinho indagou por que ele escolhera o ex-ministro da Educação como candidato à Prefeitura de São Paulo. E o ApeDELTA explicou que queria alguém com uma cara nova, que tinha criado o ProUni e 14 universidades federais (mais um número mentiroso!). O candidato, então, foi chamado a integrar a mesa, como entrevistado. Tudo estava tão organizado, que havia até uma “reportagem” com uma estudante do quarto ano de medicina, financiada pelo ProUni. Ela, claro, estava gratíssima aos dois petistas. Setenta por cento das universidades federais estão em greve. Algumas delas não contam nem com sistema de esgoto. Aulas estão sendo ministradas em barracões e prédios improvisados. E isso é apenas um fato. Em 2010, formaram-se menos estudantes em universidades públicas do quem em 2004!
Exibindo notável falta de treino, um tanto desenxabido, Haddad engrolou ali um discurso segundo o qual os críticos do Bolsa Família (???) acusavam o programa de assistencialista — o que, atenção!, é falso! Lula roubou o programa do governo FHC, como já provei aqui. Antes de adotá-lo como seu, quem dizia que programas de bolsa deixava o pobre preguiçoso, “sem vontade de plantar macaxeira”, era o próprio Lula. E já estava na Presidência da República. Indagado por que quer ser prefeito, Haddad afirmou que pretende melhorar a vida das pessoas do portão para fora — tarefa que seria da Prefeitura — porque, do portão para dentro, tudo o que aconteceu de bom aos brasileiros é obra de Lula e, vá lá, de Dilma. E teve a cara de pau de falar justamente sobre  saúde, como se o governo do PT não administrasse o país, estados e cidades em que a área vive em petição de miséria. O atendimento na rede municipal de São Paulo é muito superior àquele dispensado pelo governo federal.
Lula retomou a palavra. Pelo visto, está disposto a ressuscitar a sua pantomima do arranca-rabo de classes — justo o homem que comandou o arranjo de mais de R$ 4 bilhões do Panamericano… Já chego lá! “Muita gente diz que o Lula só cuida dos pobres”… Meus Deus! Que calúnia! Muita gente diz que eu me pareço com o Brad Pitt, e eu não me ofendo… Ora, quem diz isso? Desconheço. Eu acho que o Lula cuida é mal dos pobres. O ProUni, por exemplo, com raras exceções, é o quê? Faculdade ruim, paga com dinheiro público, para os… pobres! Os ricos vão para as universidades públicas. Mas isso fica para outra hora.
SBT X Record e os evangélicosAli pelo fim da entrevista, algo curioso se deu. Ratinho anunciou que o Ibope do seu programa estava maior do que “o da emissora do bispo”, referindo-se à Record, de Edir Macedo, que concorre com o SBT no esforço de puxar o saco de Lula e do PT. E disse ao ApeDELTA: “Eu estive com o apóstolo Valdomiro [na verdade, é "Valdemiro"], e ele te mandou um abraço. E Lula: “Eu quero falar com ele!”. Ratinho responde: “Posso marcar?”. O petista disse que sim.
Pois é… Haddad é amplamente rejeitado, por enquanto, pelos cristãos, tanto católicos como evangélicos, por causa do kit gay preparado para as escolas e da defesa fanática que o PT faz da descriminação do aborto. Valdemiro, originalmente um desgarrado da Igreja Universal do Reino de Deus, de Macedo, é dono da Igreja Mundial do Poder, uma das pentecostais que mais crescem. E esse crescimento tem-se dado justamente sobre a Universal, tomando-lhe fiéis e pastores. Os dois donos de igreja travam uma batalha feroz, com pesadas acusações mútuas. Macedo já pôs o, por assim dizer, “jornalismo” da Record para atacar o adversário do mercado da fé. É bem possível que Lula queira falar com o concorrente de seu amigo Macedo para promover a paz religiosa… O dono da Universal também é proprietário (!) de um partido político, o PRB, que tem, por enquanto, um candidato à prefeitura de São Paulo: Celso Russomano. Nada, certamente, que o Babalorixá de Banânia não possa resolver.
Agora o PanamericanoEm 2008, o Banco Panamericano já estava quebrado. Mesmo assim, em 2010, a Caixa Econômica Federal comprou 49% das ações da instituição. Um ano depois, estava quebrado, com um rombo de R$ 4,3 bilhões. A única saída seria Silvio Santos arcar, conforme a lei, com os seus bens pessoais e os das suas empresas. A menos que aparecesse um super-Lula no meio do caminho, como apareceu. O Fundo Garantidor de Créditos (FGC) ficou com o espeto. Luiz Sandoval, ex-presidente do Grupo Silvio Santos, contou tudo à Folha numaentrevista no dia 11 de março. A história de que o FGC é só dinheiro privado é conversa para boi dormir. A “sociedade” com a CEF rendeu a ignominiosa reportagem da “bolina de papel” em 2010, lembram-se? A operação salva-Silvio, rende agora a campanha eleitoral arreganhada para Haddad. Dado o tamanho do socorro — R$ 4,3 bilhões —, vem mais coisa por aí.
Os truquesÉ quase certo que a patranha desta quinta será lavada com convites aos demais candidatos à Prefeitura. Aposto que Serra e alguns outros serão convidados, sob o pretexto de garantir condições iguais a todos. Eles irão, claro! Mas se trata de um truque. Não haveria nada de errado em Lula conceder uma entrevista e elogiar fartamente as gestões petistas. Do mesmo modo, o candidato Haddad poderia ter sido entrevistado (outros teriam a sua chance). A malandragem está na operação casada, no uso de um programa de TV para que Lula faça proselitismo em favor do outro, transformando uma suposta entrevista em horário eleitoral gratuito. Ratinho e o SBT puseram um programa da emissora a serviço do lançamento de uma candidatura. A propósito: caso os demais candidatos sejam convidados, devem exigir da produção “reportagens” com pessoas gratas à sua atuação pública.
“Vamos bater nos jornalistas”Ratinho encerrou o programa fazendo um gracejo, convidando Lula para um programa em conjunto, na televisão. Seria o certo. Finalmente, a vocação de animador de auditório! O apresentador emendou: “Tem muito jornalista que bateu em você; vamos bater neles”. E Lula respondeu: “Vamos entrevistá-los“. Trata-se de um gracejo revelador, a exemplo do troca-troca das rabadas. Políticos não entrevistam jornalistas porque estes, na sua profissão, não se candidatam a cargos públicos nem são sustentados pelo povo — há alguns que são, mas não são jornalistas, e sim paus-mandados. Lula nunca entendeu direito o trabalho da imprensa, não é? Daí que se dedique, com frequência, a tentativas de censura e intimidação.
Indagado, finalmente, e de forma indireta, sobre o caso Gilmar Mendes, o petista afirmou que não falaria a respeito se limitou a dizer: “Quem acusou que prove”!. Pois é! Só se Gilmar Mendes estivesse com um microfone na lapela. O relevante é que todo mundo sabe o que aconteceu. Não estivesse Lula ali a roer a Lei Eleitoral, os fatos, as instituições, o decoro e o bom senso, talvez um ou outro ainda pudessem ter direito à dúvida. Mas como duvidar?
Como acreditar num Lula que se dizia respeitador da lei enquanto a desrespeitava uma vez mais? O passado não quer passar. O passado quer ficar. A tradição de todas as gerações mortas insiste em oprimir como um pesadelo o cérebro dos vivos, como disse aquele…
Ave, Lula! As instituições, que hão de sobreviver, o espreitam!