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quarta-feira, 18 de julho de 2012

O preço da mudança


Caro amigo Yure na necessidade de produzirmos reflexões que dividir este texto que talvez retrate o momento que vive Santana, desde já agradeço a publicação do texto que recebi de um amigo professor Adilson Nobre Maranhão.



O preço da mudança não está inscrito no níquel ou na moeda dos poderosos que pretendem o poder. Nem no boi comido do fazendeiro do imediatismo de sua pretensão ilusória do real capitalismo imbuído na ganância do problema da fome por eles causado no modelo corrompido pelo qual fazem política. Ou do presente de grego, como a raposa que quer pegar a galinha dos ovos de ouro, como acontece nas datas festivas.


Quando a realidade não está batendo com as expectativas daqueles que a alto preço pagam pelo sistema que remonta a dinâmica social de um povo, o que resta é mudar. No entanto, muitas armadilhas de faces semelhantes se escondem em novas nuances, cujas pistas se revelam em posturas ou no vazio de pretensas palavras que articulam na sombra de capitalistas no sentido de “comprar” o poder. O povo é testemunha de muitas experiências tais quais aqui citadas nas subentendidas linhas.

Estou me referindo aos casos de compra de votos que põe especuladores, capitalistas e aventureiros no poder – cotados pelo poder potencial do tamanho do bolso; o que compromete a democracia, o bem estar social e qualidade de vida, porque subtrairão, no futuro, os recursos em proveito próprio ou usam-no em “articulações políticas” no sentido de se garantir, ou manter suas bases políticas “obscuras”.

Não é em termos gerais, mas o que esperar de indivíduos que, em suas palavras revelam a ignorância, ou creem que outros achem que seus longos anos de experiências reprovadas seja tábua de salvação? “Homem sem saber, mundo às escuras”, assim dizia Baltazar – em A arte da Prudência. Já um pensador indiano estava mais certo ainda quando afirma “O que me preocupa não é o grito dos maus. É sim o silêncio dos bons” diante do que acontece e do progresso do mal.

O preço da mudança não se encontra quando se deposita confiança em capitalistas especuladores, agiotas, fazendeiros oportunistas ou atravessadores de deputados (-as) que se elegeram a título de ações espúrias da mão invisível da corrupção ativa de municípios que (tal qual), sofreram as consequências pela evasão da riqueza dos povos de lá ou de cá.

Muitos não tem ideia de política pública, mas são mestres em política partidária. Que, com o dinheiro de todos, governam pra facção. Quem só enxerga pelo viés da política partidária, não governará para todos, e sim para uma “parte” e alguns empresários que enriquecem com o sistema.

Consequentemente não planejará para o desenvolvimento, porque a pedra no caminho chamada “corrupção” é o grande e “deleitoso” problema.

O preço da mudança está na liberdade, consciência e cidadania expressa no protesto de romper com o modelo pernicioso que pretende perpetuar.

Barromeu

terça-feira, 17 de julho de 2012

Sinais de corrupção...


Esse texto recebi hoje do professor Barromeu. Sendo assim um texto de grande valia aos leitores do "Bicho de Pé" resolvi publicá-lo como post no Blog.
Vamos ao texto...

Preste atenção aos sinais que os prefeitos corruptos emitem, os principais são: 

1.Sinais exteriores de riqueza: Quando eleito, amigos e parentes exibem bens de alto valor, adquiridos de uma hora para outra, como pick-ups (SUV's), imóveis de luxo em São Luís (ou fazendas no interior) e todos os filhos passam a estudar Medicina em universidades particulares. É o chamado "kit prefeito". Desconfie também quando o padrão de consumo não for compatível com a renda, como grandes viagens, festas ou despesas em bares e restaurantes.

2.Resistência a prestar contas: Se o prefeito dificulta o acesso à informação, especialmente sobre os gastos da Prefeitura, desconfie. Por lei, todo cidadão tem direito a esse tipo de informação. No caso do Maranhão, o TCE-MA através da IN nº 09/2005, informa que o município deve deixar à disposição da população, no serviço de contabilidade, uma cópia da prestação de contas do exercício anterior.

3.Falta crônica de verba: O orçamento da Prefeitura é calculado para cobrir os serviços básicos da cidade. Sinais de abandono ou negligência podem ser indicadores de má administração ou desvio de recurso público.

4.Parentes e amigos empregados: Uma dos artifícios mais utilizados para o pagamento de favores de campanha é a contratação de correligionários, amigos e parentes no serviço público sem necessidade real.Ou seja, a Prefeitura é utilizada para empregar cabos eleitorais e lideranças cooptadas durante a campanha eleitoral. São os famigerados "acordos".

5.Não divulgação dos gastos públicos (falta de transparência): A Lei Orgânica do Município obriga o prefeito a divulgar diariamente o movimento do caixa do dia anterior. Ele também deve tornar público o balancete mensal da Prefeitura.

6.Transferências de verbas orçamentárias: Remanejamentos de grandes somas são suspeitos. Desconfie de transferências de verbas acima de 5%. O prefeito pode subverter todas as prioridades originais com grandes transferências entre as rubricas. Isso pode em algumas situações ser feito para atender necessidades emergenciais, mas na maioria das vezes é feita para atender interesses eleitorais e pessoais dos prefeitos. É preciso uma análise cuidadosa das transferências, e elas deveriam ser analisadas pela Câmara Municipal.

7.Perseguição a outros administradores honestos: Os corruptos tentam eliminar qualquer obstáculo ao seu esquema de enriquecimento ilícito. Um sinal de que há corrupção é quando há perseguição a administradores honestos.

Se o seu prefeito comete pelo menos um desses "pecados" fique de olho, reúna provas e denuncie.

BARROMEU

segunda-feira, 2 de julho de 2012

Contas-sujas vão ao paraíso

Por Mary Zaidan
Por quatro votos a três, o Tribunal Superior Eleitoral (TSE) decidiu, na semana que passou, que o trabalho que ele próprio faz de análise das contas das campanhas eleitorais de nada vale.
Isso mesmo. Centenas de servidores espalhados país afora, que se esmeram na conferência das contas, e outras dezenas de juízes que deferem ou não os documentos comprobatórios de arrecadação e gastos dos candidatos o fazem por mero diletantismo. Um trabalho inútil. Tempo e dinheiro jogados fora, já que, a não ser que o Ministério Público cobre, tanto faz as contas serem ou não aprovadas.
Esse entendimento, por mais absurdo que pareça, foi o que emergiu da sessão da última quinta-feira, quando o ministro Dias Toffoli votou contra a norma aprovada pelo mesmo TSE, em março, que impedia a candidatura daqueles postulantes com contas eleitorais rejeitadas em pleitos anteriores.
Mais de 20 mil políticos contas-sujas foram reabilitados pelo voto de Toffoli. Do inferno, promoveram-se ao paraíso.
Há os que dizem que a regulamentação que o TSE fez em março não poderia valer para outubro de 2012, pois a legislação eleitoral só pode ser alterada com um ano de antecedência. Quisera esse tivesse sido o argumento para derrotá-la. Mas não foi. Derrotou-se o princípio.
Em seu voto, Toffoli diz que a lei exige a apresentação das contas, não a aprovação. E foi mais longe em sua interpretação: “o legislador não estabeleceu a distinção por acaso”.
Só os legisladores não sabiam o que Toffoli sabia sobre a intenção deles.
Tanto é assim que correram desesperadamente atrás do prejuízo. Em maio, a Câmara dos Deputados aprovou, em votação relâmpago, um projeto de lei que permitia a candidatura dos contas-sujas. Em uma única sessão, os deputados aprovaram a urgência e o mérito da matéria. Algo sui generis.
Quase ao mesmo tempo, o PT, seguido por 17 partidos, recorreu à Justiça para fazer valer o direito daqueles que tiveram contas rejeitadas. Quisera o Parlamento se mobilizasse com tamanha destreza e vigor pela correta aplicação de recursos públicos ou para fazer valer o direito dos eleitores.
Resultado: a não ser que os deputados e senadores queiram mudar a lei, algo tão improvável quanto imaginá-los coibindo todo e qualquer tipo de corrupção, ou que o TSE reveja a interpretação que fez, nem neste ano nem nas eleições futuras se exigirá dos candidatos aprovação de contas de campanha. Basta apresentá-las dentro dos prazos, mesmo que erradas, burladas ou maquiadas, e pronto.
Com o endosso da Justiça, sacramentou-se a impunidade.

sexta-feira, 8 de junho de 2012

O julgamento do mensalão está em pauta. Tomara os juízes não se condenem onde os culpados são absolvidos


Juarez Nogueira
Não é que o Supremo Tribunal Federal (STF) decidiu marcar para agosto o início do julgamento do mensalão? Apesar das investidas de Lula & Cia. para melar o julgamento do processo contra a organização criminosa, chefiada por José Dirceu – segundo a Procuradoria Geral da República –, parece que agora vai. Parece. Julgamento marcado, tudo ainda depende do moroso relatório daquele Lewandovski ministro indicado por Lula.
Contra todas as negativas do ex-presidente e as manobras das hordas lulopetistas, patente está: o crime existe. Não é coisa da oposição ou perseguição da imprensa, como sempre afirmou um Lula que se dizia traído e “não sabia de nada”. Ou se mobilizaria a mais alta Corte do país para instruir a farsa de julgar um crime inexistente?
Pelo menos o assédio de Lula ao ministro Gilmar Mendes serviu para mover a engrenagem do processo emperrado há sete anos e expôs a única preocupação de Lula: o STF vai julgar o fato e o fato é um processo-crime. Dê o que der o julgamento, Lula não poderá alegar a inexistência do delito. Se aconteceu em seu governo, tem ligação com o caso. Dê o que der, o esquema da compra de votos de políticos da base alugada ficará como escândalo indelével do histórico de corrupção do Brasil com as digitais do PT. (Quase eu ia dizer maior escândalo, porém, maior escândalo neste país ainda é sempre o próximo.)
Se os réus mensaleiros serão condenados, aí é outra história. Podem ficar impunes como tantos outros que ocuparam e ocupam as mais altas esferas do governo. Talvez, seja só mais uma conta no rosário da impunidade sistêmica da República de Cocanha, onde as leis bailarinas animam o fandango dos pernetas.
Esperança? Melhor deixá-la fora. Expectativa há, alguma, por parte das Pessoas de Bem deste país. Sob mal homiziado silêncio, o que prevalece são as apostas canalhas nos vícios de um sistema judicial insuperáveis pela falta mesma de Justiça. Basta saber, os crimes cometidos pelos réus mensaleiros (formação de quadrilha, corrupção ativa e passiva, peculato e evasão de divisas) têm penas brandas. Para o crime de formação de quadrilha, por exemplo, a pena máxima é de três anos. Se condenados pelas penas mínimas, que podem ser convertidas em penas alternativas como serviço comunitário ou pagamento de cestas básicas, já estarão mais do que livres e recompensados pelos crimes cometidos.
Ao final e no limite, o resultado pode concorrer pela frustração de ver tudo reduzido às eventuais penas mínimas, por conta dos atrasos no julgamento e da prescrição superveniente. Em tal hipótese, restaria como única pena a sanção social, o juízo popular a condenar os mafiosos ao ostracismo – ainda que saiam do julgamento arrotando a absolvição que nem é sinônimo de inocência. Absolvição é apenas tecnicalidade sistêmica. E a sistemática brasileira não é a do sol quadrado, é a do corrupto fora da cadeia. Improvável, pois, é que o resultado do julgamento do mensalão, pelo sim ou pelo não, gere assim uma espécie de crispação coletiva, um levante, alguma reforma ou mudança de rumo no Governo Republicano.
Mas, pelo sim ou pelo não, um fato é inegável: todo o episódio põe em jogo a reputação do Poder Judiciário. Por ora, não há que se falar em vitória ou derrota. Ao colocar o julgamento em pauta, o STF não fez mais que seu dever para dar a prestação jurisdicional como é a praxe das instituições democráticas no Estado de Direito. Daqui para frente, pode esperar-se tudo, inclusive nada. Tomara, os juízes não se condenem onde os culpados são absolvidos.

segunda-feira, 4 de junho de 2012

Política Nacional: STF monta estratégia para julgamento do mensalão. Será que agora vai?


Por Juarez Nogueira (Comentário sobre a reportagem de Felipe Recondo no jornal o Estadão)
O surgimento do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva no radar do julgamento do mensalão alertou para um movimento subterrâneo detectado pelo Supremo Tribunal Federal (STF): manobras projetadas para embaraçar o processo e jogar a sentença final para depois das eleições.
Diante disso, o presidente da Corte, Carlos Ayres Britto, prepara em conjunto com os colegas alguns antídotos para anular estratégias que podem ser usadas pelos advogados dos réus do mensalão para retardar o julgamento do processo. Com 38 réus a serem julgados e número ainda maior de advogados envolvidos com o caso, os ministros sabem que todos os subterfúgios legais e chicanas poderão ser usados nas sessões de julgamento.
Britto pediu à Defensoria Pública que preparasse de cinco a sete defensores para que fiquem de sobreaviso. Eles serão sacados para atuar no julgamento caso algum dos advogados peça adiamento da sessão por estar doente ou se algum dos réus convenientemente destituir seu advogado e pedir prazo para contratar um novo defensor.
Problemas como esses poderiam provocar o adiamento da sessão por semanas. Esses defensores públicos estudam o caso desde abril e estarão, de acordo com integrantes do tribunal, prontos para defender os réus de imediato, sem permitir atrasos no julgamento do processo, que deve se alongar por dois meses.
Os ministros antecipam também estratégias para garantir a execução das penas daqueles que forem condenados. Terminado o julgamento, o tribunal precisa publicar o acórdão – com a íntegra do relatório do caso, os votos de cada ministro e os debates travados na sessão, e a ementa do julgamento.
Comento: Que venham as estratégias do STF para se cercar do assédio dos mensaleiros. E que venha o julgamento! Principalmente agora que Lula tenta “melar” a coisa. Não é ele quem sempre alegou que o crime non ecziste? E se não existiu, por que age na sombra para tentar impedir o STF de julgar o caso este ano? Em país sério, no mínimo Lula e o ministro Gilmar Mendes seriam levados à acareação pública. Mas espera-se que, com a luz amarela acesa, o STF reaja. Aja. Faça valer sua autonomia como instituição maior da Justiça, em meio à Constituição, às leis e demais instituições já tão achincalhadas nos nove anos da incursão lulopetista no poder. Que o STF julgue – que já vai tarde! Que dê a cada mensaleiro o seu quinhão, dentro do devido processo legal. É a oportunidade ímpar de mostrar que sim, há juízes no Brasil. Vejamos se o STF irá fazê-lo – apesar de ser a maioria dos juízes indicada por Lula, quando presidente. O que não lhes deve pôr cabrestos nem tirar-lhes a “despresunção de inocência”, espera-se.

Estão aí as caras dos imundos pra quem quer ter o desprazer de conhecê-los, eram 40 nomes agora restam 36: 

quinta-feira, 3 de maio de 2012

Minto, logo exito


Com o início de mais uma CPI em busca da verdade, a única certeza é que ouviremos mais uma cachoeira de mentiras. Mesmo jurando sobre a Bíblia, eles vão mentir, como José Roberto Arruda fez na tribuna do Senado, jurando pelos seus filhos que não tinha violado o painel eletrônico.
Quantas vezes ainda ouviremos alguém dizer “eu não sabia”? É difícil saber se já houve mais corrupção no Brasil em outro tempo, mas certamente nunca na história deste país se mentiu tanto. Só que agora as mentiras se espalham instantaneamente pela sociedade, mas podem ser mais rapidamente desmentidas pelos fatos e pela tecnologia.
Historicamente, nos Estados Unidos e em países de cultura protestante, mentir é um ato muito mais grave, moral e legalmente, do que na América católica.
Em países regidos por esses códigos morais, mentir em juízo sob juramento é crime de perjúrio que pode levar à prisão e até derrubar presidentes.
Como o mentiroso Richard Nixon, obrigado a renunciar depois do escândalo Watergate, e Bill Clinton, que sofreu um impeachment na Câmara dos Representantes, com muitos votos do seu próprio partido, não pelo mau gosto do romance com Monica Lewinsky, mas porque mentiu. Foi salvo pelo Senado, por poucos votos. E era um dos presidentes mais populares e bem-sucedidos da história americana, com sólido apoio parlamentar.
A verdade é que todo mundo mente, uns mais e outros menos, para o mal e para o bem, pelos mais diversos motivos, sentimentos e circunstâncias, é parte da condição humana. Mas quando alguém mente para si mesmo, como Sarney se acreditando um grande estadista de moral ilibada, ou Zé Dirceu se dizendo “cada vez mais convencido” de sua inocência no mensalão, para esses casos não há cura. Mas isto é assunto psicanalítico, estamos falando de roubos e conspirações de políticos, empresários e funcionários contra o Estado.
Como nos lembram CPIs recentes, eles mentem cínica e impunemente, humilham nossa inteligência, desmoralizam nossa fé nas instituições e provam que aqui a mentira é não só tolerada como recompensada. Eles anunciam uma verdade brasileira: minto, logo existo.

quinta-feira, 26 de abril de 2012

A falência múltipla dos órgãos públicos


Arnaldo Jabour (publicado no Jornal O Globo, 17/04/12)
Os corruptos ajudam-nos a descobrir o País. Há sete anos, Roberto Jefferson nos abriu a cortina do mensalão. Agora, com a dupla personalidade de Demóstenes Torres, descortinamos rios e florestas e a imensa paisagem de Cachoeira. Jefferson teve uma importância ideológica.
Cachoeira é uma inovação sociológica. Cachoeira é uma aula magna de ciência política sobre o Sistema do País. Vamos aprender muito com essa crise. É um esplendoroso universo de fatos, de gestos, de caras, de palavras que eclodiram diante de nossos olhos nas últimas semanas. Meu Deus, que riqueza, que profusão de cores e ritmos em nossa consciência política! Que fartura de novidades da sordidez social, tão fecunda quanto a beleza de nossas matas, cachoeiras, várzeas e flores.
Roberto Jefferson denunciou os bolchevistas no poder, os corruptos que roubavam por “bons motivos”, pelo “bem do povo”, na base dos “fins que justificam os meios”. E, assim, defenestrou a gangue de netinhos de Lenin que cercavam o Lula que, com sua imensa sorte, se livrou dos mandachuvas que o dominavam. Cachoeira é uma alegoria viva do patrimonialismo, a desgraça secular que devasta a história de nosso País. Sarney também seria ‘didático’, mas nada gruda nele, em seu terno de ‘teflon’; no entanto, quem estudasse sua vida entenderia o retrato perfeito do atraso brasileiro dos últimos 50 anos.
Cachoeira é a verdade brasileira explícita, é o retrato do adultério permanente entre a coisa pública e privada, aperfeiçoado nos últimos dez anos, graças à maior invenção de Lula: a ‘ingovernabilidade’.
Cachoeira é um acidente que rompeu a lisa aparência da ‘normalidade’ oficial do País. Sempre soubemos que os negócios entre governo e iniciativa privada vêm envenenados pelas eternas malandragens: invenção de despesas inúteis (como as lanchas do Ministério da Pesca), superfaturamento de compras, divisão de propinas, enfrentamento descarado de flagrantes, porque perder a dignidade vale a pena, se a grana for boa, cabeça erguida negando tudo, uns meses de humilhações ignoradas pelo cinismo e pela confiança de que a Justiça cega, surda e muda vai salvá-los. De resto, com a grana na ‘cumbuca’, as feridas cicatrizam logo.
O governo do PT desmoralizou o escândalo e Cachoeira é o monumento que Lula esculpiu. Lula inventou a ingovernabilidade em seu proveito pessoal. Não foi nem por estratégia política por um fim ‘maior’ – foi só para ele.
Achávamos a corrupção uma exceção, um pecado, mas hoje vemos que o PT transformou a corrupção em uma forma de governo, em um instrumento de trabalho. A corrupção pública e a privada é muito mais grave e lesiva que o tráfico de drogas.
Lula teve a esperteza de usar nossa anomalia secular em projeto de governo. Essa foi a realização mais profunda do governo Lula: o escancaramento didático do patrimonialismo burguês e o desenho de um novo e ‘peronista’ patrimonialismo de Estado.
Quando o paladino da moralidade Demóstenes ficou nu, foi uma mão na roda para dezenas de ladrões que moram no Congresso: “Se ele também rouba, vamos usá-lo como um Omo, um sabão em pó para nos lavar, vamos nos esconder atrás dele, vamos expor nosso escândalo por seu comportamento e, assim, seremos esquecidos!”
Os maiores assaltantes se horrorizaram, com boquinha de nojo e olhos em alvo: “Meu Deus… como ele pôde fazer isso?…”
Usam-no como um oportuno bode expiatório, mas ele é mais um ‘boi de piranha’ tardio, que vai na frente para a boiada se lavar atrás.
Demóstenes foi uma isca. O PT inventou a isca e foi o primeiro a mordê-la. “Otimo!” – berrou o famoso estalinista Rui Falcão – “Agora vamos revelar a farsa do mensalão!” – no mesmo tom em que o assassino iraniano disse que não houve holocausto. “Não houve o mensalão; foi a mídia que inventou, porque está comprada pela oposição!” Os neototalitários não desistem da repressão à imprensa democrática…
E foi o Lula que estimulou a CPI, mesmo prejudicando o governo de Dilma, que ele usa como faxineira também das performances midiáticas que cometeu em seu governo. Dilma está aborrecida. Ela não concorda que as investigações possam servir para que o Partido se vingue dos meios de comunicação e não quer paralisar o Congresso. Mas Lula não liga. “Ela que se vire…” – ele pensa em seu egoísmo, secretamente, até querendo que ela se dane, para ele voltar em 14. Agora, todo mundo está com medo, além da presidente. O PT está receoso – talvez vagamente arrependido. Pode voltar tudo: aloprados, caixas 2 falsas, a volta de Jefferson, Celso Daniel, tantas coisinhas miúdas… A CPI é um poço sem fundo. O PMDB, liderado pelo comandante do atraso Sarney, também está com medo. A velha raposa foi contra, pois sabe que merda não tem bússola e pode espirrar neles. Vejam o pânico de presidir o Conselho de Ética, conselho que tem membros com graves problema na Justiça. Se bem que é maravilhoso o povo saber que Renan, Juca, Humberto Alves, Gim Argello, Collor serão os ‘catões’, os puros defensores da decência… Não é sublime tudo isso? Nunca antes, em nossa história, alianças tão espúrias tiveram o condão de nos ensinar tanto sobre o Brasil. A cada dia nos tornamos mais sábios, mais cultos sobre essa grande chácara de oligarquias. E eu estou otimista. Acho que tudo que ocorre vai nos ensinar muito. Há qualquer coisa de novo nessa imundície. O mundo atual demanda um pouco mais de decência política. Cachoeira, Jefferson, Durval Barbosa nos ensinam muito. Estamos progredindo, pois aparece mais a secular engrenagem latrinária que funciona abaixo dos esgotos da pátria. A verdade está nos intestinos da política.
Mas, o País é tão frágil, tão dependente de acasos, que vivemos com o suspense do julgamento do mensalão pelo STF.
Se o ministro Ricardo Lewandowski não terminar sua lenta leitura do processo, nada acontecerá e a Justiça estará desmoralizada para sempre.

quarta-feira, 18 de abril de 2012

Coisa boa não é


Tião Martins (publicado no Jornal Hoje em Dia, 17/04/12)
O Brasil é hoje tetracampeão em felicidade e será também daqui a cinco anos, garante pesquisa recente da Fundação Getúlio Vargas (associada à Consultoria Gallup).
Deveríamos negociar a receita do milagre com o resto do mundo. Sarkozy, Angela Merkel, Vladimir Putin, Barack Obama e outros líderes de povos infelizes pagariam uma nota preta por esse brasileiríssimo segredo tropical, abençoado por Deus e bonito por natureza.
Afinal, quem nos fez assim tão felizes? Nossos ministros inocentes e puros de coração, Delúbio Soares e Renan Calheiros, talvez. Ou teria sido o novíssimo integrante da banda podre? Novíssimo no sentido de que ainda será descoberto, pois acabou de se associar ao bando e ainda não caiu nas graças de bichos e bicheiros.
Neste solo fértil do Brasil, "tudo em se plantando dá", contava em 1500 o escrivão Pero Vaz de Caminha. São cinco séculos e alguns quebrados de plantio e colheita do bom e do melhor.
Plantaram o mensalão, por exemplo, e foi o maior sucesso na carreira política do Zé Dirceu, que obteve a lista quase completa dos políticos corruptos. Quase.
Depois, vieram outros, que ainda lutam bravamente por um convite para a grande festa.
Lançaram o crack e já somos campeões mundiais de consumo e disputamos o título de grandes exportadores para a Europa e a África.
Comemoramos a edição da lei seca no trânsito e nunca tivemos tantos bêbados ao volante, atropelando e matando.
Estávamos todos preocupados com o que aconteceria na bacia do Rio São Francisco, com o incrível projeto de transposição das águas, que já engoliu mais dinheiro público que qualquer governador do Distrito Federal. E lá está o Rio do Chico, cada vez mais seco e poluído, mas quietinho em seu curso, por onde corre há milênios.
O maravilhoso trem-bala, promessa do Messias milagreiro, até hoje não provocou qualquer dano ambiental na Mata Atlântica, entre Rio e São Paulo, simplesmente porque ainda não saiu do papel.
Sim, somos felizes, mais que o universo inteiro, por uma razão simples: não damos o menor valor a nada disso. A corrupção nos diverte, a mentira estimula a criatividade dos chargistas e é preciso garantir o cachê dos humoristas da TV.
Engoliram nosso dinheiro? Azar o deles.
Dinheiro não traz felicidade e ainda vai acabar provocando tremenda indigestão em nossos líderes. Se o PMDB, o PT, o PP, o PTB e demais afilhados estão felizes e de barriga cheia, ótimo. Isso é que importa.
E agora que os brasileiros estão mais felizes que suecos, suíços e dinamarqueses, por que vamos perder o sono? Temos samba, carnaval e futebol.
Essa pesquisa veio na hora certa, para levantar ainda mais o astral da turma. Logo, trata-se de patriótica contribuição da FGV, que certamente foi bem remunerada por esse trabalho, como aconteceu com o projeto de reforma que fez para o Senado, por encomenda do patriota José Sarney.
A Fundação jura que ouviu cerca de 200 mil pessoas, em 158 países.
Hoje, 157 estão infelizes, enquanto nós esbanjamos saúde de ferro, entusiasmo juvenil e alegria de palhaço que vê o circo pegar fogo. Além da certeza de que estaremos sempre assim.
Só é estranha e suspeita a conclusão de que as mulheres brasileiras andam bem mais felizes que os homens. O que será que estão aprontando? Como diria o falecido Manoel Calvão, marido ciumento, desses que dormem de olho aberto, suspeitam da própria sombra e jamais largam o cabresto, "coisa boa não é". Tanto que a mulher dele nunca foi feliz. E ele também não.

segunda-feira, 26 de março de 2012

Trecho do depoimento do Padre Demetrius dos Santos Silva

Navegando pela internet no Blog do Juarez Nogueira, encontrei esse depoimento muito relevante, decidi então  publicar aos meus leitores e amigos, também aos inimigos, políticos é claro, trecho deste depoimento, estas são palavras do Padre Demetrius:

"Nunca gostei de ver a Cruz em Tribunais, onde os pobres têm menos direitos que os ricos e onde sentenças são barganhadas, vendidas e compradas.
Não quero mais ver a Cruz nas Câmaras Legislativas, onde a corrupção é a moeda mais forte.
Não quero ver, também, a Cruz em delegacias, cadeias e quartéis, onde os pequenos são constrangidos e torturados.
Não quero ver, muito menos, a Cruz em prontos-socorros e hospitais, onde pessoas pobres morrem sem atendimento.
É preciso retirar a Cruz das repartições públicas, porque Cristo não abençoa a sórdida política brasileira, causa das desgraças, das misérias e sofrimentos dos pequenos, dos pobres e dos menos favorecidos.”
 Algo que sempre me incomodou foi ver um país, com tamanha tradição cristã, ser tão tolerante com a corrupção no meio político. Fico pensando num povo-cordeiro-demais a oferecer a face tantas vezes quanto mais espancada pela indignidade dos maus políticos ou a perdoar mais de 7 vezes 70 tanto desmando, irrisão e desídia.  Fico mais tentado a crer que isso, em parte, vai por conta de uma Igreja mais ocupada com aspectos da vida mundana do que dos fundamentos do catolicismo de fato. Como aqueles dez mandamentos essenciais, que entendo como embrião e raiz de todo o Direito e da Democracia, instituídos como base do dever e da conduta dos homens para com Deus e o próximo, entre os quais destaco aqui o 7º mandamento: Não roubarás".

Para conhecer o Padre Demetrius click aqui.


sexta-feira, 23 de março de 2012

A Cidade Nua


Santana do Araguaia está nua. Ninguém, em sã consciência (a não ser que esteja recebendo uns agrados por fora), afirmaria que a atual administração do município vai bem. O governo “agora é trabalho” (só o lema já é algo contraditório) é péssimo, tão ruim que ouvi da boca de um servidor, um anti-Alegria, “que saudade do Alegria!” O servidor errou na forma, mas acertou no conteúdo, saudade é uma palavra muito forte, e vem a tona o velho, mais eficiente ditado: trocamos seis por meia dúzia.
As causas mais evidentes da perca de credibilidade deste governo com a sociedade e os servidores estão na lentidão, na falta eficácia, de eficiência, na corrupção institucionalizada nas bases do governo e em suas secretarias, nos atrasos constantes de salários, na falta de remédio, na falta de reagente pra realizar exames de rotina, na falta de merenda escolar e na péssima qualidade da mesma, notas superfaturadas, nas ruas mal iluminadas, mesmos com uma empresa de eletrificação terceirizada para o serviço, na operação tapa buracos com entulho, na máquina encharcada de contratados e em justificativas incoerentes com a atual situação do município, como uma fuga da realidade.
A peça teatral interpretada pelo governo deste município, já esgotou seus figurinos, e agora atua como um monólogo, que quando fala, fala, fala e não diz nada, nada acontece. Padece no vício onde as palavras substituem a ação. Mas às vezes o monólogo se cala, julgando que silêncio e discrição são evidências de inteligência e ponderação, na maioria das vezes isso é mesmo falta do que falar. É uma pausa depois de um discurso sem pé nem cabeça, antes de outro que não tem começo, meio e nem finalidade.
A tranquilidade esboçada pelo governo será desistência de uma reeleição? É apenas mesmo só incompetência? Ou é também uma estratégia no verão dos sonhos, na última hora, facilitar os sobrepreços, numa espécie de corrupção em amor a Santana? Recordando que esse ano é ano eleitoral, e as “doações” são sempre bem-vindas...
O SIMSEPSA que poderia ser uma justiça que faz, que age, que lidera processos, que estimula o debate público, que poderia estar no centro dos debates, abandonou os servidores da saúde após 12 dias de atrasos de salários, no terceiro mês consecutivo, em outros tempos, no sexto dia útil do mês expediria um mandato de segurança pedindo para que seja realizado o pagamento, mas o sindicato agora serve a dois senhores, na última reunião realizada, uma das poucas onde os servidores foram realmente convocados, ficou marcada por um discurso de desespero, marcada pelo esquecimento do feito de Getúlio Vargas na Constituição de 1934, onde sancionou a lei de insalubridade, esqueceram a CLT (Consolidação das Leis do Trabalho), esqueceram que os guardas recebiam horas-extras até 2008, ignoraram que em janeiro o governo federal já tinha sancionado os 14,01% e negar o aumento seria defasar ainda mais um salário já defasado, porque ainda temos percas 8,99%, mesmo com o tal aumento, isso tudo se resume numa nota triste no jornal 3ª Via – o prefeito deu... – deu o escambau! São direitos adquiridos, não é favor, não é doação.
A peça teatral representada pelo governo, ainda não acabou, apesar de o figurino já está esgotado, a peça continua no ar até o último dia deste ano. Ainda veremos quantas obras serão inauguradas, sem ter sido realizadas no verão dos sonhos, o maior canteiro de obras, que só existe no mundo da imaginação. E a cidade nua mais uma vez pede socorro. Exagero? Exagero é a matéria-prima das piadas, mas essa piada não tem graça.

segunda-feira, 19 de março de 2012

Sinais de irregularidades na administração municipal Segundo o site TRANSPARÊNCIA BRASIL


Apesar de não determinarem necessariamente a presença de corrupção, a presença de alguns fatores deve estimular uma atenção especial. Entre eles estão:
  • histórico comprometedor da autoridade eleita e de seus auxiliares;
  • falta de transparência nos atos administrativos do governante;
  • ausência de controles administrativos e financeiros;
  • subserviência do Legislativo e dos Conselhos municipais;
  • baixo nível de capacitação técnica dos colaboradores e ausência de treinamento de funcionários públicos;
  • alheamento da comunidade quanto ao processo orçamentário.

quinta-feira, 8 de março de 2012

Custo da corrupção no Brasil chega a R$ 69 bilhões por ano


Segundo levantamento da Fiesp, renda per capita do País poderia ser de US$ 9 mil, 15,5% mais elevada que o nível atual.

Um estudo realizado pelo Departamento de Competitividade e Tecnologia (Decomtec) da Fiesp revelou os prejuízos econômicos e sociais que a corrupção causa ao País.

Segundo dados de 2008, a pesquisa aponta que o custo médio anual da corrupção no Brasil representa de 1,38% a 2,3% do Produto Interno Bruto (PIB), ou seja, gira em torno de R$ R$ 41,5 bilhões a R$ 69,1 bilhões.

No período entre 1990 e 2008, a média do PIB per capita do País era de US$ 7.954. Contudo, o estudo constatou que se o Brasil estivesse entre os países menos corruptos este valor subiria para US$ 9.184, aumento de 15,5% na média do período, equivalente a 1,36% ao ano.

Entre 180 países, o Brasil está na 75ª colocação, no ranking da corrupção elaborado pela Transparência Internacional. Numa escala de zero a 10, sendo que números mais altos representam países menos corruptos, o Brasil tem nota 3,7. A média mundial é 4,03 pontos.

Nação prejudicada


Além disso, o levantamento também traz simulações de quanto a União poderia investir, em diversas áreas econômicas e sociais, caso a corrupção fosse menos elevada.



Educação – O número de matriculados na rede pública do ensino fundamental saltaria de 34,5 milhões para 51 milhões de alunos. Um aumento de 47,%, que incluiria mais de 16 milhões de jovens e crianças. 



Saúde – Nos hospitais públicos do SUS, a quantidade de leitos para internação, que hoje é de 367.397, poderia crescer 89%, que significariam 327.012 leitos a mais para os pacientes
.
Habitação – O número de moradias populares cresceria consideravelmente. A perspectiva do PAC é atender 3.960.000 de famílias; sem a corrupção, outras 2.940.371 poderiam entrar nessa meta, ou seja, aumentaria 74,3%. 



Saneamento – A quantidade de domicílios atendidos, segundo a estimativa atual do PAC, é de 22.500.00. O serviço poderia crescer em 103,8%, somando mais 23.347.547 casas com esgotos. Isso diminuiria os riscos de saúde na população e a mortalidade infantil. 



Infraestrutura – Os 2.518 km de ferrovias, conforme as metas do PAC, seriam acrescidos de 13.230 km, aumento de 525% para escoamento de produção. Os portos também sentiriam a diferença, os 12 que o País possui poderiam saltar para 184, um incremento de 1537%. Além disso, o montante absorvido pela corrupção poderia ser utilizado para a construção de 277 novos aeroportos, um crescimento de 1383%.