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quinta-feira, 9 de agosto de 2012

Eu não gosto de política


Inúmeras vezes, incontáveis vezes, tenho ouvido de amigos essa frase, proferida como suma expressão de bom gosto e de elevada sensibilidade moral e estética. É como se estivessem acrescentando: “Prefiro Thomas Morus, prefiro Chopin, prefiro os pintores impressionistas…”
Sistematicamente respondo tal observação com um comentário: “E quem te pediu para gostar?” Gostar ou não gostar de política é absolutamente irrelevante, como irrelevante é gostar ou não gostar de inúmeras coisas indispensáveis à vida cotidiana no mundo em que vivemos. E note-se, muitas delas são tão decisivas para nossa existência que, apreciando ou não, nos empenhamos em fazer bem feito o que nos corresponde.
A política é uma dessas coisas decisivas, realidade irremovível da vida de quem se recuse a viver no mato. E é uma realidade com fortíssimo poder de determinação sobre a qualidade da vida social e econômica, sobre os valores, sobre a dignidade da pessoa humana e sua concretude, sobre o progresso e a civilização.
Boa parte do que podemos relacionar como especificamente individual, e praticamente tudo o que se abriga com o agasalho social, depende da política. Portanto, repito: gostar ou não é uma questão apenas sensorial. Já o desinteressar-se é atitude moralmente irresponsável.
Ninguém dirá que, por não gostar, se afasta, desdenhoso, do trabalho que faz, dos filhos cujas fraldas precisam trocar e dos pais enfermos que precisam ser cuidados. Da mesma forma, estamos irrevogavelmente condicionados por preceitos e realidades determinados pela política. A política é uma das várias dimensões naturais da pessoa humana. Entramos nela pela concepção e não saímos dela nem depois do enterro porque, é pela via política, que nossas disposições testamentárias encontram base legal e vigência.
Formulo então para os leitores uma confidência: eu também não gosto da nossa política. Aliás, estou convencido de que para gostar da política nacional, com a temos hoje, se requer uma absoluta ausência de bom gosto. Quase tudo, nela, causa engulhos aos estômagos mais sensíveis. E é exatamente por isso que ela me interessa, que procuro estudar e conhecer as causas determinantes de seus incontáveis descaminhos e que me dedico a apontar novos rumos institucionais capazes de fazê-la servir como deveria ao bem comum.
Cidadão que me lê. Saiba que você é cidadão porque vive numa sociedade política. Queira ou não queira. Pode fazê-lo de modo mais abrangente, inclusive como participante do jogo eleitoral na condição de dirigente partidário, candidato, detentor de mandato ou cargo político. Mas não escapa de participar, ainda que em forma de inserção menos proativa (para usar uma expressão da moda), como eleitor.
No entanto, ainda que apenas como eleitor, você tem imensa responsabilidade moral em relação ao seu voto e ao interesse que aloca na formação de seu discernimento e de seus critérios de decisão. Se você, como tantos, vota em qualquer um (e qualquer um costuma ser o tipo do sujeito que faz qualquer coisa) ou vota em alguém pensando no seu próprio interesse, não se surpreenda quando aquele em quem votou passar a cuidar do interesse dele mesmo. Tal conduta estará apenas reproduzindo a sua. Ou não?

quinta-feira, 2 de agosto de 2012

Ovos que galinha não botou


Semana passada publiquei um texto do Blog do Juarez Nogueira com o título Manual de sobrevivência do eleitor em eleições repletas de vigaristas e por meio deste faço aqui uma ressalva sobre o "novo na política", de quem nunca se atentou a nada politicamente e agora na "hora H" diz ser a salvação desta cidade, será? Pras regras existem exceções , é verdade, mas quando se trata de política são raras e desconhecidas.

A renovação faz parte em qualquer parte, é arte no jogo. Mas também é verdade que o novo por aqui já nasce velho, na velhacaria de coligações velhas, no vínculo eterno com velhos partidários, em partidos que o único objetivo é a repartição dos lucros, onde os interesses vão além do bem comum e tentam exaustivamente uma Secretaria com porteiras fechadas e cofres incluídos.

Já temos por aí candidatos a vereadores prometendo obras de grandes proporções, com promessas fajutas ao pé do ouvido, de casa, comida e roupa lavada, de emprego garantido na casa da mãe Joana, tudo bem, é verdade que muitas vagas irão surgir, afinal, são mais de 500 contratados, mas bem mais verdade que isso é que existem meios legais para isso, ou seja, concurso público. E verdade bem maior que as anteriores é que função de vereador é legislar, se quer viver de fazer promessas vazias, que tivesse se candidatado a prefeito.

Como dizem; a política transforma homem bom em malandro, mas não transforma malandro em homem bom, e tem muito malandro pregando de bom moço. Há muitos candidatos que não sabem as funções e atribuições do cargo pretendido, no entanto sabe quanto ganha no final do mês, por aí tiramos conclusões.

O novo sem ter mérito é o velho sem ter obra, e igual com igual é a mesma coisa! É ovo que galinha não botou. Se botou está choco!

sexta-feira, 6 de julho de 2012

Amanhã as Campanhas Políticas estarão liberadas


Vai começar...
Vai ser dada a largada!
É amanhã (07 de julho).
Aquelas musiquinhas que todo mundo conhece, e que você adora, ou não, transformadas em paródias com nomes e números de candidatos.
Isso mesmo!
Vai passar na sua rua na hora em que o bebê dormiu, e vai acordá-lo, fazendo de você a pessoa mais feliz do mundo...
Novamente as mulheres de Santana serão as mais bonitas do país e não poderão andar nesse calçamento horrível, nem pegar poeiras no cabelos após sair do salão de beleza... Tudo é lindo, tudo é maravilhoso!!!
Mais uma vez aquele seu amigo, ou parente, que só vem na sua casa de 4 em 4 anos vai te visitar, te dar um abraço apertado, e fazer aquela pergunta: "Como é que estamos?"

Semana que vem lhe apresentarei um remédio ótimo para curar essa doença que alguns políticos tem de achar que você é trouxa!!!! 

terça-feira, 3 de julho de 2012

Santana do Araguaia-Pa e o que fizeram dela


Santana do Araguaia se perdeu no tempo, já não sabe a diferença de progresso e regresso, segue a teoria de que todos os caminhos levam para um mesmo lugar e que inferno e céu são as mesmas coisas, depende do ponto de vista.

É Santana, a tua política se tornou mais suja, até então corrupção era excessão, hoje corrupção é regra, foi institucionalizada nas bases governistas e em suas alianças, um passado que resiste em passar, mais e outra vez...

Os teus bêbados, que ninguém amparou, deitados em tuas esquinas onde a luz do poste apaga, acende e apaga de novo, como estrela no céu, mas sem a mesma beleza, sem a mesma poesia. Os teus cachorros magros, que ninguém cuidou, viram latas de lixo em busca de algum alimento, com fome, a mesma fome de teu povo que um dos poucos poderes de mobilização é uma festa fuleira no bar da esquina, onde dificilmente não sairá alguém ferido, as vezes morto, onde aprendemos a beber cedo, a viver depressa e morrer jovens, talvez numa queda de moto na volta pra casa, sem CNH, sem capacete, mais um a habitar a cidade dos pés juntos (como diria minha avó).

A tua educação, a exemplo de boa parte do país, não prepara ninguém pra "porra nenhuma," -desculpe a expressão- é tão eficaz quanto fazer simpatia na entrada do Ano Novo e sonhar os mesmos sonhos e não realizar nenhum. A tua saúde parece doente, o artigo 331 do Código Penal nos diz que tipo de atendimento teremos no seu recinto.

Tudo bem Santana do Araguaia, cidade esperança no extremo sul do Pará, Pará? Esse é um detalhe que eu devia ter esquecido ou fingido não lembrar, não porque quero esquecer minhas raízes, mas porque quero esquecer que fomos esquecidos, essa é a nossa herança maldita. A única chance que tivemos, mesmo que remota, de nos apartar desse mal, os coronéis da política paraense acharam uma brecha pra burlar a Lei regida pela Constituição Federal (eles sempre acham um brecha que sirvam os seus interesses), e não só a parte interessada votou, votou também a parte desinteressada. Eramos um canto do Pará lutando contra um país inteiro. Vi estudos de economistas do Rio de Janeiro, de São Paulo, dos quinto dos infernos se opondo a divisão do Estado, uns desgraçados (mais uma vez me desculpe o termo) que nunca colocaram os pés nessa região, que nunca trafegaram pela BR 155 que liga Redenção a Marabá fazendo malabarismo, não trafegaram na BR 158 que liga Santana do Araguaia a Redenção onde temos que atravessar mais de 20 pinguelas onde as obras estão paradas a décadas, muito menos pela PA 411, que liga o Pará ao Tocantins, 45 km de barro intermináveis, que nunca passaram pela humilhação de tentar usar o celular mais de 50 vezes e não conseguir, só para dizer: - Mãe eu estou bem! Que não sabem o que é pagar energia de motor a diesel, que é de auto custo e uma merda e outros tantos problemas que eu poderia passar dias aqui recitando e não conseguir finalizar. O que mais me entristeceu foi assistir a entrevista de uma senhora de vestes humildes numa periferia de Belém, nossa capital, num bairro que não vale a pena citar o nome, mas vale dizer que é feio e fedido, o repórter perguntou: - A senhora é a favor da divisão do nosso Estado? Ela respondeu: - Mas quando? Queres dividir nossas riquezas! Eu me perguntei: - Que riqueza essa senhora tem? Ela nasceu no Pará, a cara e o sotaque não nega, mas o Pará não nasceu pra ela.

Na verdade o Pará nasceu para poucos, e minha cidade também vem negando o nascimento aos seus filhos,  mais uma Eleição se aproxima e o caos segue em frente com a mesma tranquilidade de sempre...



quinta-feira, 28 de junho de 2012

No jogo do bicho político dessa semana deu traíra

Nada na política santanense é estranho ao estômago!

Não existe em nenhum lugar mais coerência do que essa merda pronta que aí está.

No jogo do bicho político dessa semana deu traíra (pelo menos foi o que mais vi). Mas como assim deu traíra? Traíra não tem no jogo do bicho!

É verdade, no jogo do bicho não tem, mas no jogo do bicho político esse bicho é tão comum quanto andar pra frente. "Em política todos os seus amigos são falsos, e todos os seus inimigos são verdadeiros", em algum momento um “amigo” vai te puxar o tapete e te jogar na lona, é o MMA psico-político (a Câmara de Vereadores atual levou isso ao extremo, e o “pau comeu” no sentido mais ralé da expressão).

Lembra-se daquela historinha que contei aqui no “Bicho de Pé” sobre inferno e paraíso? (pra quem não viu clique aqui) Ela será contada de novo pra você, claro que o final vai ser mais bonitinho e cheia de segundas, terceiras e quartas intensões, mas depois da historinha concretizada através do seu voto, a historinha volta ser a mesma que contei.

E mais uma vez os fins irão justificar os meios, e os meios justificarão os fins, foi assim nos últimos três anos e meio, todo esse bolo fecal que aí está são respostas de como os votos foram concedidos a estes...

E o jogo do bicho político que deu traíra essa semana, aposto com quem quer que seja, continuará dando traíra durante um bom tempo (quando mudar aviso), porque traíras entre os mais de 100 candidatos que aí estão são muitos, mas alguns são mais traíras que outros.

Porém a grande verdade que existe no meio disso tudo é esta: muitos dos traíras já estão identificados, tem até selos na testa. Procure escolher melhor suas apostas.

sexta-feira, 22 de junho de 2012

A política de Santana mudou? / Ou / O santanense eleitor é o mesmo não-leitor

Dizem por aí que a política de Santana mudou os rumos, "o vai não vai, o desce ou não desce, tô dentro, tô fora, tô dentro de novo, as contas reprovadas". Eu descordo! Por que? É muito simples; se eu fosse crente diria: - Só Deus pode tirar essa vitória consumada do Eduardo da Machado (PMDB). Mas não tenho essa mania de culpar Deus por todas graças e desgraças que acontecem em nossas vidas.

O Machado é mais nova esperança desse povo complacente (Minha também confesso), porque nós, os seres humanos, temos a necessidade de acreditar em alguma coisa, até mesmo um cético tem que acreditar no poder da razão para descordar ou concordar com algo. O que não podemos é cegar diante dos fatos e nos comportar como fanáticos, porque o pior cego é aquele que não quer ver.

O grande problema da Política Santanense é que o mesmo santanense não-leitor é o mesmo santanense eleitor, e o voto é obrigatório, a leitura não. A liberdade de pensamento é a matéria-prima necessária para a liberdade política, é o que nos torna menos complacentes. O povo não é bobo por dever, mas por opção, por acreditar que as coisas são assim mesmo, e que a política é de quatro em quatro anos. A política é dia 07 de outubro e sempre, é o dia-a-dia, não podemos ser prisioneiros de nós mesmos.
Por isso guerreiro pegue o seu título e vote, mas lembre-se de cobrar as consequências desse voto depois, porque quem não faz nada também é responsável por esse clima de desordem e retrocesso instalado nessa cidade nos últimos 3 anos e meio.

segunda-feira, 16 de abril de 2012

Bicho de Pé e seus LEITORES e SEGUIDORES

O Bicho de Pé agradece a todos os seus Leitores e Seguidores, por dezenas, centenas e milhares de acessos, dizer a vocês que também fazem parte deste blog, pois sem a leitura o Blog não tinha razão de existir, dizer também que o Bicho de Pé se sente honrado por também fazer parte desse processo de leitura do santanense, e dedico a vocês essas simples palavras:

"O leitor atento, verdadeiramente ruminante, tem quatro estômagos no cérebro, e por ele faz passar os atos e os fatos, até que deduz a verdade, que estava ou parecia estar escondida." (Machado de Assis)

Publico aqui as Postagens mais acessadas do "BLOG BICHO DE PÉ", leiam, participem, fique a vontade, o Bicho de Pé é nosso: 

Análise sobre o governo agora é trabalho

http://bicho-de-pe-santanadoaraguaia.blogspot.com.br/2012/04/analise-sobre-o-governo-agora-e.html

Caos da Saúde de Santana do Araguaia

http://bicho-de-pe-santanadoaraguaia.blogspot.com.br/2012/04/caos-da-saude-de-santana-do-araguaia.html

A cidade nua

http://bicho-de-pe-santanadoaraguaia.blogspot.com.br/2012/03/cidade-nua.html

Mini dicionário linguístico do Governo e Base Aliada de Santana do Araguaia

http://bicho-de-pe-santanadoaraguaia.blogspot.com.br/2012/03/mini-dicionario-linguistico-do-governo.html 

Os Colarinhos-sangrentos

http://bicho-de-pe-santanadoaraguaia.blogspot.com.br/2012/03/os-colarinhos-sangrentos.html

PRJ: O que é isso? 

http://bicho-de-pe-santanadoaraguaia.blogspot.com.br/2012/03/prj-o-que-e-isso.html

A Política e a politicagem 

http://bicho-de-pe-santanadoaraguaia.blogspot.com.br/2012/02/politica-e-politicagem.html

UMA BOA LEITURA A TODOS E UMA ÓTIMA SEGUNDA-FEIRA.

sexta-feira, 23 de março de 2012

A Cidade Nua


Santana do Araguaia está nua. Ninguém, em sã consciência (a não ser que esteja recebendo uns agrados por fora), afirmaria que a atual administração do município vai bem. O governo “agora é trabalho” (só o lema já é algo contraditório) é péssimo, tão ruim que ouvi da boca de um servidor, um anti-Alegria, “que saudade do Alegria!” O servidor errou na forma, mas acertou no conteúdo, saudade é uma palavra muito forte, e vem a tona o velho, mais eficiente ditado: trocamos seis por meia dúzia.
As causas mais evidentes da perca de credibilidade deste governo com a sociedade e os servidores estão na lentidão, na falta eficácia, de eficiência, na corrupção institucionalizada nas bases do governo e em suas secretarias, nos atrasos constantes de salários, na falta de remédio, na falta de reagente pra realizar exames de rotina, na falta de merenda escolar e na péssima qualidade da mesma, notas superfaturadas, nas ruas mal iluminadas, mesmos com uma empresa de eletrificação terceirizada para o serviço, na operação tapa buracos com entulho, na máquina encharcada de contratados e em justificativas incoerentes com a atual situação do município, como uma fuga da realidade.
A peça teatral interpretada pelo governo deste município, já esgotou seus figurinos, e agora atua como um monólogo, que quando fala, fala, fala e não diz nada, nada acontece. Padece no vício onde as palavras substituem a ação. Mas às vezes o monólogo se cala, julgando que silêncio e discrição são evidências de inteligência e ponderação, na maioria das vezes isso é mesmo falta do que falar. É uma pausa depois de um discurso sem pé nem cabeça, antes de outro que não tem começo, meio e nem finalidade.
A tranquilidade esboçada pelo governo será desistência de uma reeleição? É apenas mesmo só incompetência? Ou é também uma estratégia no verão dos sonhos, na última hora, facilitar os sobrepreços, numa espécie de corrupção em amor a Santana? Recordando que esse ano é ano eleitoral, e as “doações” são sempre bem-vindas...
O SIMSEPSA que poderia ser uma justiça que faz, que age, que lidera processos, que estimula o debate público, que poderia estar no centro dos debates, abandonou os servidores da saúde após 12 dias de atrasos de salários, no terceiro mês consecutivo, em outros tempos, no sexto dia útil do mês expediria um mandato de segurança pedindo para que seja realizado o pagamento, mas o sindicato agora serve a dois senhores, na última reunião realizada, uma das poucas onde os servidores foram realmente convocados, ficou marcada por um discurso de desespero, marcada pelo esquecimento do feito de Getúlio Vargas na Constituição de 1934, onde sancionou a lei de insalubridade, esqueceram a CLT (Consolidação das Leis do Trabalho), esqueceram que os guardas recebiam horas-extras até 2008, ignoraram que em janeiro o governo federal já tinha sancionado os 14,01% e negar o aumento seria defasar ainda mais um salário já defasado, porque ainda temos percas 8,99%, mesmo com o tal aumento, isso tudo se resume numa nota triste no jornal 3ª Via – o prefeito deu... – deu o escambau! São direitos adquiridos, não é favor, não é doação.
A peça teatral representada pelo governo, ainda não acabou, apesar de o figurino já está esgotado, a peça continua no ar até o último dia deste ano. Ainda veremos quantas obras serão inauguradas, sem ter sido realizadas no verão dos sonhos, o maior canteiro de obras, que só existe no mundo da imaginação. E a cidade nua mais uma vez pede socorro. Exagero? Exagero é a matéria-prima das piadas, mas essa piada não tem graça.

terça-feira, 28 de fevereiro de 2012

A Política e a politicagem



“O único castigo de quem não gosta de política é ser governado pelos que gostam” (historiador inglês, Arnold Toynbee). Tudo bem é verdade que em Santana política se tornou um câncer maligno, quando não deixa sequela, mata. Sabemos também que moramos em um país livre onde somos todos iguais perante a lei (mesmo sabendo que alguns são mais iguais que outros), onde temos o direito de ir e vir (nem sempre respeitado), direito a livre expressão do pensamento (porém tua verdade é bem menor do que mentira de quem estar no poder), por isso você tem o direito de não gostar de política, mas é essa omissão que os malfeitores da vida pública mais desejam, principalmente das grandes massas, porque “os pobres não foram feitos para a política, mas para sustentar o poder dos políticos”, quando não se tem liberdade econômica, também não se tem liberdade política, porque a primeira é a condição necessária para a segunda.
Certo dia diretamente de não sei de onde, apareceu por aí um sujeito com jeito bacana, que falava bonito, que dormiu com os porcos, de origem do circo, e com uma rádio na mão fez o circo pegar fogo, conquistou as massas, era tão convincente que até o Bintinguinha (prefeito na época) desistiu de uma reeleição, assim engoliu os “coronéis” da política santanense, cortou o cabo do Machado e com a força da mudança foi eleito com uma parte significativa dos votos, e diferente de um circo, quem fez malabarismo, andou na corda bamba e se vestiu de palhaço foi o povo. Mas para o bem de todos e felicidade geral da cidade (menos para meia dúzia de favorecidos, que as más línguas dizem por aí que até choraram) houve uma renúncia inesperada, para muitos uma vitória, para mim a prova viva de que a corrupção pode até não ser uma invenção brasileira, mas a impunidade é uma coisa muito nossa.
O Alegria renunciou, no entanto o circo continua armado e a palhaçada permanece a mesma, um pouco mais camuflada, mas não tão pouco pretensiosa, porque política e prostituição são as duas únicas profissões que conheço que não exigem nenhum tipo de experiência anterior, sabendo que a segunda na maioria da vezes é bem mais digna do que a primeira, porque política em Santana não é diferente do resto do país e tornou-se  segundo a teoria de Henri Montherlant “a arte de captar em proveito próprio a paixão dos outros”, mas se isso fosse uma arte, muitos dos nossos artistas deveriam estar presos.
Corrupção se tornou uma instituição pública, que diferente de muitas outras que até existem, porém não funcionam como deveria, essa tem lugar de destaque e seus funcionários fantasmas estão todos ativos trabalhando para o sucesso da mesma, e vão tentar te convencer de que política não se discute, mas é por isso que os ladrões continuam no poder, irão continuar construindo cadeias ao invés de escolas, e a educação continuará sendo precária, pois essa é a ferramenta que te ensina a pensar e pensar é perigoso, essa é uma maneira de evitar concorrência, e vão continuar dizendo que seus filhos são o futuro da nação, mas são pras cadeias que irão o mandar se o futuro der errado.
Por isso participe mais, expresse sua opinião, reivindique, você não é obrigado a ser político, mas é essencial que seja politizado, pois a opinião política de um(a) homem(mulher) é o(a) próprio(a) homem(mulher), não se finja de surdo, mudo, cego e burro quando pisarem no seu pé, não seja uma cobaia de dois em dois anos, pois perante a política você tem a arma mais desejada pelos políticos, o voto. Afinal de contas “políticos e fraldas devem ser trocados de tempos em tempos, ambos pelo o mesmo motivo” (Eça de Queiróz).