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segunda-feira, 1 de outubro de 2012

Tamo junto e misturado! Mas isso só pode dá gororoba!


Contagem regressiva... Está chegando a hora...

Estamos todos diante de uma grande e difícil tarefa: decidir os rumos de nossa sofrida cidade para os próximos quatro anos. Vemos por aí um festival de vídeos esclarecedores e outros catastróficos, como aquele que diz que serão necessários 16 anos para Santana começar a ter cara de cidade, aí eu me pergunto o que será feito nos 15 anos anteriores a esse? Vemos por aí acusações, brigas e intrigas, processos e excessos, todo mundo é alvo...

O eleitorado santanense em sua grande maioria são analfabetos políticos (Tristeza maior é saber que o que mais temos são políticos analfabetos políticos, que não tem independência econômica alegando que vai ter independência política. Isso é irrisório!), o santanense eleitor é o mesmo não leitor, que são iludidos e dilubriados por ilusionistas que muito deles são capazes de vender até a mãe em troca de um bom cargo na nossa grande porca leiteira (Prefeitura Municipal) e dessa forma mais uma vez incompetentes serão premiados, isso é uma das causas que levou a perda de boa parte dos recursos da Saúde (SEMUS). 

Na teoria é bonito "quanto mais partidos e partidários juntos melhor em torno de uma campanha", isso até parece apoio, mas na prática a coisa perde a beleza, grandes investimentos requer lucros maiores, isso é fato. O que mais tem por aqui são partidos e partidários que vendem apoio em troca de secretarias, de cargos de confiança com familiares e amigos incluídos gerando despesas desnecessárias e inchaço na folha de pagamento. Não compartilho dessa ideologia política do "tamo junto e misturado", como já disse outras vezes aqui nesse blog, bosta não tem bússola, nem GPS e pode sujar todo mundo que está por perto, e o resultado dessa mistura pode gerar uma gororoba difícil de engolir. 

Não é o que é visível aos olhos que é espantador nesse espetáculo da eleição, é o que há por trás da cortina, as entranhas dos relacionamentos partidários. Não me venha com essa que o que olhos não vêem o coração não sente, porque ninguém (quer dizer, quase ninguém) viu alguém pegando R$ 1,00 dessa prefeitura e colocando no bolso, mas as irmãs siamesas MÁ GESTÃO E CORRUPÇÃO afundaram essa cidade, e o coração sentiu sim, principalmente o coração de quem foi internado no hospital e o tratamento foi falho por falta de medicamentos, o coração de quem foi aos postos de saúde e não encontrou médicos, de quem mandou o filho para escola e ele voltou antes do término da aula porque não tinha merenda escolar, de quem esperou o pagamento no final do mês e mais uma vez atrasou, muitos corações doeram sim mesmo os olhos não tendo visto nada.

Antes de votar faça uma triagem com o seu voto, porque na tecla verde da urna eletrônica está escrito CONFIRMA e não FODA-SE.

terça-feira, 18 de setembro de 2012

Pesquisa CFC CARTRAN: 45 ou 15

Para participar da Pesquisa do CFC CARTRAN é fácil, é só comparecer no local, ao lado do Detran. Você que é do 15 ou do 45 compareça e vote, faça valer a democracia!!!!!

quarta-feira, 12 de setembro de 2012

A privada da vida comédia

bicho-de-pe-santanadoaraguaia.blogspot.com.br

Estamos todos no meio de um grande circo, onde muitas vezes nós somos o público, outras somos os palhaços, os equilibristas. Existe uma comédia em cada comício, os gestos, o jeito, as frases feitas, as desfeitas, as incompletas, as frases sem pé, nem cabeça, nem sentido, as promessas quase irrealizáveis. Nunca fomos tão amados em toda nossa vida, ouvi declarações, juras de amor com tão grande eloquência ao povo santanense, nunca vi tanta honestidade, fé, trabalho, competência reunidos em um só lugar, em uma só pessoa, humildade declarando grandezas.

Na política noturna santanense acontece de tudo, como um "boa noite" inusitado: - Boa noite "alegretes"! Coberto de vaias e risos, ironia como se o passado não tivesse desencarnado e deixasse transparecer em mensagens subliminares, ou o candidato a vereador que nunca acerta o nome do bairro em que está, e já prometeu que não vai errar a cidade, como se ele fosse candidato em várias cidades, ou aquele outro que mal conseguiu agradecer a presença da família, com direito a remixe (QQQQQQQQ), ou aqueles que nunca lembram de dizer o número, ou o candidato a vereador que prometeu construir uma escola e uma creche, deve ser com recursos próprios, que essa frase já virou até clichê por aqui, mas nenhum superou aquele coligado ao 15 e em palanque, como um desejo interno que aflorou e veio a tona,  e pediu voto para o 45, as vaias foram imediatas, deve ter ido embora escondido para não apanhar.

É emocionante assistir todos em um mesmo palco, gregos e troianos, americanos e iranianos, quem antes se odiavam agora fazem juras de casamento eterno, em abraços fraternos, na nova ideologia política " de tu é nosso e nós somos teu". Isso é Brasil! Isso é Santana do Araguaia!

Estamos todos esperando os fins, porque os meios não são nenhuma obra prima, pelo contrário, há um desfile de horrores cômicos e ao mesmo tempo trágicos. É a privada da vida comédia, por isso caro amigo eleitor se o candidato fulano, beltrano, ciclano, seja lá qual for quer pagar pelo o seu voto, ACEITE! Pois esse dinheiro também é seu, se não é será, porque no final é você que paga a conta, mas vote em outro, afinal de contas falsas promessas trocadas não dói.

quinta-feira, 26 de julho de 2012

Manual de sobrevivência do eleitor em eleições repletas de vigaristas

Do Blog do Juarez Nogueira
(Para conhecer o Blog do Juarez Nogueira clique aqui)


1 – O candidato pinta cabelo, barba, cavanhaque? Usa botox? Não vote. Se faz isso é porque já tenta esconder algo dele mesmo. O que não esconderá do eleitor? Político photoshop, de cabelo acaju? Chega! Se não é mentira é boiolagem.
2 – É candidato carismático? Fora! Carisma serve para disfarçar a busca pelo poder, esconder autoritarismo ou incompetência. Ou ambos. Ele não tem inimigos? Não se indispõe com adversários? Então só pode ser candidato a mister simpatia, menos ao cargo pretendido. Psicopatas e estelionatários são simpáticos, sedutores. Lembre-se disso.
3 – Ele se faz de vítima, não responde a ataques? Se responde, culpa a imprensa ou a oposição? É fake, 171! Faz tipo de coitado? Chora e jura? Mentira pura. Não caia na chantagem. Fachada – como tudo na vida – se deteriora de dentro para fora. Não é diferente com as pessoas.
4 – O candidato se vende como político “novo”? Novidade em política é ovo que galinha não botou. Se botou está choco. Pode ver que o “novo” carrega alianças firmadas por velhas coligações, partidos e partidários. Político que se elege prometendo novidade? No Brasil? Este não engana: será fatalmente apenas a mais nova decepção.
5 – O candidato é velho conhecido? Se de velho tem a experiência e a dedicação de uma vida de trabalho a serviço da comunidade, pode até ser. Não quer dizer que é. E quando é, geralmente tem um trabalho social fora e longe da política. Basta pensar nos benfeitores da humanidade: não foi na política que deixaram grandes obras.
6 – O candidato se apresenta como filho de fulano ou de fulana? Desconfie. O filho costuma ser a reedição mais preguiçosa, interesseira, incompetente e piorada do pai ou da mãe. Por pouco, quer valer-se da tradição, do curral eleitoral ou do nome para trepar ao poleiro. Há exceções? Em política, pode crer, são hipotéticas ou desconhecidas.
7 – O candidato faz festa, churrasco, regabofe e boca-livre? Dá ingresso para shows e boates, paga estadia de hotel e motel, paga contas e consulta médica? Aceite, participe, coma e beba de tudo à vontade, usufrua, explore, desbunde! Diga até que votará nele, mas vote em outro. Falsa promessa trocada não dói. Pode ter certeza que o compromisso dele com você e sua comunidade acaba junto com a festa. Depois de eleito, quem faz a festa é ele. Mas quem paga a conta é você!
8 – O candidato faz campanha rica? Gasta muito? Muita publicidade, muita divulgação multimídia, muito brilho e trololó? Comitê, outdoors, banners, cartazes, carros adesivados, brindes? Oba-oba e tatibitate? Ligue o desconfiômetro: é sinal de que o investimento promete lucro muito maior. Para ele, claro. Aí tem. Fuja desses. São os piores.
9 – O candidato age e fala como gente humilde? Faz-se de humilde, de homem do povo, um tipo que nem “nóis”? É truta. Teatro barato. Desmascarar é fácil: elogie bastante a humildade dele. Mas elogie mesmo. Na hora vai se revelar o orgulho sob a capa da humildade. É a deixa. Despache-o.
10 – O candidato fala bonito, é todo prosa? Aí, cuidado redobrado! Costuma ser só clichê, falácia. Discursos tão vazios quanto as promessas de campanha. Candidatos prometem em momentos de euforia como se tudo dependesse da vontade deles apenas. Promessas, lembra o ditado, só as de Cristo. E muito candidato aí jura que é cristão.
11 – O candidato é de alguma igreja? Exconjure. Exorcize. Benza-se. Feche o corpo. De promessas quem vive é santo. Como ninguém o é, inferno e política estão cheios de promessa. Religião – nem escola – dá certificado de caráter. Em religião e política, seja qual for a crença, quanto mais gente de joelhos melhor. Pense nisso e não dobre a espinha.
12 – E o nome de urna do candidato? O nome de urna é divulgado nos santinhos e aparece na urna eletrônica. Este ano, 106 políticos escolheram Lula, 68 candidatas Dilma e 48 vão de Tiririca como o nome de urna, segundo dados do Tribunal Superior Eleitoral (TSE). O nome de urna diz muito – e nada – do candidato. Apelidos, diminutivos, termos que forçam afetividade gratuita, associam com artistas ou personagens populares, induzem piadas ou o “voto de protesto”? Mande pras cucuias.
13 – O candidato depende do prestígio de outro político para se eleger? Não tem luz própria, nem mérito. Apague-o nas urnas. Pode saber: o outro é que quer (re)eleger o apadrinhado. É continuísmo, tudo a mesma merda.  
14 – É candidato a vereador, mas promete obras disso e daquilo? Caia fora. Função de vereador é legislar – coisa que poucos ou nenhum fazem. É fiscalizar se as obras e os projetos em execução não foram superfaturados, se atendem aos interesses da população. Outra coisa: vereador não é despachante de uma pessoa ou bairro. Ele tenta a reeleição? Informe-se. Não tem ou teve atuação abrangente? Defendeu e aprovou aumento do próprio salário ou do número de vereadores na câmara contra a vontade do povo? Pé na bunda! A maioria é capacho de prefeito. Ou vê o mandato de vereador como emprego ou profissão, quer status, ascensão social e econômica. A maioria – depois de eleitos –, observe, além de incompetente sofre de mal incurável: a empáfia. Reconhecê-los é fácil: têm soluções para tudo e sempre prometem resolver problemas que não são de sua responsabilidade.
15 – É candidato a prefeito, disputa a reeleição? É simples. Observe a rua em que você mora. Está limpa? Tem capina? Tem coleta de lixo regular? Tem meio-fio, calçamento, calçada, iluminação, rede de esgoto? Ou está sendo maquiada nessa época eleitoral? Você se sente seguro de andar nas ruas a qualquer hora? O trânsito, como está? Há transporte público de qualidade? A rua onde você mora é a cara do prefeito e dos vereadores. Se não está bem, pode ter certeza: prefeitura e câmara estão piores.  
16 – O candidato quer se reeleger proclamando a realização de obras públicas como grandes feitos? É um perdulário. Se fez, não foi mais do que a obrigação dele. Para isso mesmo foi eleito. Para tanto você paga impostos – altos e mal aplicados (quando não desviados em obras superfaturadas), pode ter certeza. Esse tipo age como se o eleitor dependesse dele e não o contrário.
17 – O voto nulo anula a eleição? Não. O Tribunal Superior Eleitoral decidiu que não. Você acha mesmo que patifes políticos vão criar ou aprovar leis contra eles? A lei é premeditada contra o eleitor. Se 60% dos votos forem brancos ou nulos, os 40% de votos dados aos candidatos serão os válidos. Basta um dos candidatos obter 20% mais um desses votos para estar eleito. Em suma, se o voto da minoria é válido, qualquer pilantra está eleito. A eleição só é anulada se houver fraude na votação (por exemplo, compra de voto ou abuso de poder econômico).
18 – Não se deve reeleger candidatos? Políticos e fraldas devem ser trocados sempre, pelo memo motivo. Na internet, circula uma campanha: “Na próxima eleição, troque um ladrão por um cidadão.” Alternância pode ser alternativa, embora tudo no Brasil da última década o desdiga. A cada eleição, vai-se trocando seis por meia dúzia, o menos pior pelo pior ainda. Mas lembre-se: eleitor é o que vota. Cúmplice é quem apoia ou acoberta o crime.
19 – O candidato se diz “de esquerda” mas desfruta do conforto e das benesses do capital? Esse aí, nem precisa dizer. Quer é mamar. Mande-o pentear macaco! Sempre tem macaco – e macaca – de auditório disponível. Fique alerta: esquerda ou direita hoje no Brasil tem a ver apenas com a mão usada para o desvio.
20 – Se diz “de direita” mas apregoa ideologias “de esquerda”? É um demagogo. Mande-o plantar batatas!  De novo: esquerda ou direita hoje no Brasil tem a ver apenas com a mão usada para o desvio.
21 – É de centro e flerta com os “extremos”? Dizem que a virtude está no meio. Resta saber: qual virtude? Candidato em cima do muro. Derrube-o: não vote. Ideologia política no Brasil é que nem peido. Só muda o rabo. O que existe é interesse financeiro, pessoal, projeto de poder.
22 – Ficha limpa adianta? A sociedade organizada bem que tentou... A ficha pode até ser limpa, mas a conta do candidato pode ser suja. O TSE, aparelhado, decidiu aprovar o malfeito e a bandalheira contra o eleitor (saiba por que, aqui). Tem candidato aí levantando slogan de “Honestidade” e “Transparência”. Só não paga os credores. Caloteiro. Que a porta bata onde o sol não bate!
23 – Não sobrou ninguém em que votar? Para quem vai votar, sobrou trabalho de garimpo. Isto é, você precisa ser mais seletivo, esclarecido, participar mais da vida de sua cidade, estado e país. Faça uma visita ao pronto-socorro local, para ver se está tudo bem por lá. Informe-se da violência e das drogas na cidade. Por aí tire suas conclusões. Por fim, lembre-se: na tecla verde da urna eletrônica está escrito CONFIRMA. E não FODA-SE.

terça-feira, 3 de julho de 2012

Santana do Araguaia-Pa e o que fizeram dela


Santana do Araguaia se perdeu no tempo, já não sabe a diferença de progresso e regresso, segue a teoria de que todos os caminhos levam para um mesmo lugar e que inferno e céu são as mesmas coisas, depende do ponto de vista.

É Santana, a tua política se tornou mais suja, até então corrupção era excessão, hoje corrupção é regra, foi institucionalizada nas bases governistas e em suas alianças, um passado que resiste em passar, mais e outra vez...

Os teus bêbados, que ninguém amparou, deitados em tuas esquinas onde a luz do poste apaga, acende e apaga de novo, como estrela no céu, mas sem a mesma beleza, sem a mesma poesia. Os teus cachorros magros, que ninguém cuidou, viram latas de lixo em busca de algum alimento, com fome, a mesma fome de teu povo que um dos poucos poderes de mobilização é uma festa fuleira no bar da esquina, onde dificilmente não sairá alguém ferido, as vezes morto, onde aprendemos a beber cedo, a viver depressa e morrer jovens, talvez numa queda de moto na volta pra casa, sem CNH, sem capacete, mais um a habitar a cidade dos pés juntos (como diria minha avó).

A tua educação, a exemplo de boa parte do país, não prepara ninguém pra "porra nenhuma," -desculpe a expressão- é tão eficaz quanto fazer simpatia na entrada do Ano Novo e sonhar os mesmos sonhos e não realizar nenhum. A tua saúde parece doente, o artigo 331 do Código Penal nos diz que tipo de atendimento teremos no seu recinto.

Tudo bem Santana do Araguaia, cidade esperança no extremo sul do Pará, Pará? Esse é um detalhe que eu devia ter esquecido ou fingido não lembrar, não porque quero esquecer minhas raízes, mas porque quero esquecer que fomos esquecidos, essa é a nossa herança maldita. A única chance que tivemos, mesmo que remota, de nos apartar desse mal, os coronéis da política paraense acharam uma brecha pra burlar a Lei regida pela Constituição Federal (eles sempre acham um brecha que sirvam os seus interesses), e não só a parte interessada votou, votou também a parte desinteressada. Eramos um canto do Pará lutando contra um país inteiro. Vi estudos de economistas do Rio de Janeiro, de São Paulo, dos quinto dos infernos se opondo a divisão do Estado, uns desgraçados (mais uma vez me desculpe o termo) que nunca colocaram os pés nessa região, que nunca trafegaram pela BR 155 que liga Redenção a Marabá fazendo malabarismo, não trafegaram na BR 158 que liga Santana do Araguaia a Redenção onde temos que atravessar mais de 20 pinguelas onde as obras estão paradas a décadas, muito menos pela PA 411, que liga o Pará ao Tocantins, 45 km de barro intermináveis, que nunca passaram pela humilhação de tentar usar o celular mais de 50 vezes e não conseguir, só para dizer: - Mãe eu estou bem! Que não sabem o que é pagar energia de motor a diesel, que é de auto custo e uma merda e outros tantos problemas que eu poderia passar dias aqui recitando e não conseguir finalizar. O que mais me entristeceu foi assistir a entrevista de uma senhora de vestes humildes numa periferia de Belém, nossa capital, num bairro que não vale a pena citar o nome, mas vale dizer que é feio e fedido, o repórter perguntou: - A senhora é a favor da divisão do nosso Estado? Ela respondeu: - Mas quando? Queres dividir nossas riquezas! Eu me perguntei: - Que riqueza essa senhora tem? Ela nasceu no Pará, a cara e o sotaque não nega, mas o Pará não nasceu pra ela.

Na verdade o Pará nasceu para poucos, e minha cidade também vem negando o nascimento aos seus filhos,  mais uma Eleição se aproxima e o caos segue em frente com a mesma tranquilidade de sempre...



segunda-feira, 2 de julho de 2012

Contas-sujas vão ao paraíso

Por Mary Zaidan
Por quatro votos a três, o Tribunal Superior Eleitoral (TSE) decidiu, na semana que passou, que o trabalho que ele próprio faz de análise das contas das campanhas eleitorais de nada vale.
Isso mesmo. Centenas de servidores espalhados país afora, que se esmeram na conferência das contas, e outras dezenas de juízes que deferem ou não os documentos comprobatórios de arrecadação e gastos dos candidatos o fazem por mero diletantismo. Um trabalho inútil. Tempo e dinheiro jogados fora, já que, a não ser que o Ministério Público cobre, tanto faz as contas serem ou não aprovadas.
Esse entendimento, por mais absurdo que pareça, foi o que emergiu da sessão da última quinta-feira, quando o ministro Dias Toffoli votou contra a norma aprovada pelo mesmo TSE, em março, que impedia a candidatura daqueles postulantes com contas eleitorais rejeitadas em pleitos anteriores.
Mais de 20 mil políticos contas-sujas foram reabilitados pelo voto de Toffoli. Do inferno, promoveram-se ao paraíso.
Há os que dizem que a regulamentação que o TSE fez em março não poderia valer para outubro de 2012, pois a legislação eleitoral só pode ser alterada com um ano de antecedência. Quisera esse tivesse sido o argumento para derrotá-la. Mas não foi. Derrotou-se o princípio.
Em seu voto, Toffoli diz que a lei exige a apresentação das contas, não a aprovação. E foi mais longe em sua interpretação: “o legislador não estabeleceu a distinção por acaso”.
Só os legisladores não sabiam o que Toffoli sabia sobre a intenção deles.
Tanto é assim que correram desesperadamente atrás do prejuízo. Em maio, a Câmara dos Deputados aprovou, em votação relâmpago, um projeto de lei que permitia a candidatura dos contas-sujas. Em uma única sessão, os deputados aprovaram a urgência e o mérito da matéria. Algo sui generis.
Quase ao mesmo tempo, o PT, seguido por 17 partidos, recorreu à Justiça para fazer valer o direito daqueles que tiveram contas rejeitadas. Quisera o Parlamento se mobilizasse com tamanha destreza e vigor pela correta aplicação de recursos públicos ou para fazer valer o direito dos eleitores.
Resultado: a não ser que os deputados e senadores queiram mudar a lei, algo tão improvável quanto imaginá-los coibindo todo e qualquer tipo de corrupção, ou que o TSE reveja a interpretação que fez, nem neste ano nem nas eleições futuras se exigirá dos candidatos aprovação de contas de campanha. Basta apresentá-las dentro dos prazos, mesmo que erradas, burladas ou maquiadas, e pronto.
Com o endosso da Justiça, sacramentou-se a impunidade.